Governo Temer: circo, pão e pau

Diante dessa situação, a luta de resistência deve ser a base para a constituição de um programa de emergência unitário e um movimento de caráter revolucionário, antineoliberal, antifascista e pelo socialismo.

Desmonte da Petrobrás compromete desenvolvimento do Ceará

O desmonte da maior empresa brasileira – a Petrobrás – caminha a passos largos, com a mesma desfaçatez do golpe que tinha como objetivo realizá-lo.

CIA sempre esteve de olho no petróleo brasileiro

Relatórios disponibilizados pela CIA desde o final do ano passado permitem traçar um histórico do monitoramento a respeito da exploração do petróleo brasileiro.

Carta de Snowden: Denúncia é um ato de resistência

Última carta publicada pelo ex-agente secreto estadunidense.

China: O mito do “Socialismo de Mercado”

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A POSIÇÃO DOS COMUNISTAS MARXISTAS-LENINISTAS DIANTE AS ELEIÇÕES/2018 NO CEARÁ

Os comunistas organizados em torno do Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) e os jovens em torno da Juventude 5 de Julho (J5J) dirigem-se para toda a classe trabalhadora e ao povo cearense para apresentar a nossa posição diante a conjuntura política, que resulta de debates e análises expressas através do Jornal Inverta, apresentando nossa indicação de voto, de forma a contribuir para uma recomposição de forças no país necessária para derrotar o golpe neoliberal ora em curso.
***
A farsa do golpe de 2016, que impôs a selvageria neoliberal como política de governo, trouxe à tona um antigo desejo da classe dominante: promover um amplo processo de privatizações, entregando todo o patrimônio do povo brasileiro para livre-mercado, em outras palavras, o Estado mínimo. Um receituário que jura de morte o povo pobre trabalhador, e acaba com todo tipo de direitos sociais fundamentais; põe fim ao acesso à saúde pública, à educação e ao pleno emprego. Um projeto econômico de governo tão agressivo que, mesmo com todos os limites que têm as eleições burguesas, a maioria do povo vinha repudiando esse projeto nas urnas.
Por isso mesmo, o neoliberalismo, etapa superior do capitalismo selvagem, só é viável com o uso da força. O golpe de 2016 foi um golpe sofisticado, envolvendo a ação combinada entre setores da classe dominante, a articulação entre o grande empresariado e seus lobistas no parlamento, com a cumplicidade do poder judiciário e da mídia nazi-fascista, sob a batuta do imperialismo yanque. Nunca é demais lembrar que o primeiro país a implantar o neoliberalismo foi o Chile sob a ditadura de Pinochet. Em nosso país, a adoção do modelo neoliberal se iniciou com Collor e prosseguiu com FHC, na sombra da ditadura fascista.
Para impor a agenda anti-povo e anti-nacional à força, a burguesia não pensa duas vezes em implodir própria a ordem constitucional que fundamenta a democracia burguesa e refazê-la segundo suas necessidades. A cada violação da letra fria da lei, aprofunda-se a insegurança jurídica, instabilidade política e crise econômica. Não é exagero afirmar que o Brasil vive um Estado de exceção e que nosso país vive o crepúsculo de uma ditadura judiciária, nos moldes do corporativismo fascista.
As violações, que ultrajam o ordenamento constitucional, abriram o caminho para o estado de terra arrasada; o golpe intensificou à enésima potência o extermínio da população negra e pobre das periferias, casos de feminicídios a níveis alarmantes e o assassinato político de inúmeras lideranças populares por todo o Brasil.
No Estado do Ceará, o cenário político regional não está dissociado do nacional. O governo de Camilo Santana (PT), que é candidato à reeleição, caracteriza-se por profundas contradições internas, grande parte em razão da grande coligação que dá base ao governo.  É importante salientar que foi Camilo Santana o responsável por um amplo processo de regularização fundiária rural no Estado, importantíssimo para o fortalecimento de cooperativas agrícolas e estímulo à agricultura familiar. É importante salientar também que no governo Camilo Santana intensificou-se a interiorização de infra-estrutura do Estado, abrindo estradas e duplicando outras, a fim de melhorar a logística do Estado. E uma posição eleitoral neste processo avalia o cenário nacional para o regional e os reflexos, as conseqüências, do cenário regional para o nacional. O estado do Ceará, por sua presença econômica e política em toda região nordeste, reúne todas as condições de se converter num eixo antigolpe no contexto nacional.
Não nos enganemos: estas eleições não serão limpas! Se a política é a guerra por outros meios, todo movimento feito nessas eleições é um esforço de guerra!. Nesse sentido, o voto13 é um voto político que também é um ato de resistência, em desagravo à perseguição ao ex-presidente Lula; um voto que contribua para o reordenamento de forças políticas no país, que permita um novo capitulo na luta de classes.
O Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) faz um chamamento para além da disputa eleitoral onde as forças populares, democráticas e progressistas organizem-se em torno de uma plataforma tática de lutas pela libertação do ex-presidente Lula, pela revogação de todas as medidas neoliberais, pelo retorno do eixo de desenvolvimento centrado na integração regional e cooperação soberana internacional, e, sobretudo, uma Constituinte exclusiva, livre e soberana que constitua novas instituições democráticas e isentas do judicialismo e fundamentalismo fascista e religioso. Por outro lado, urge a necessidade de formação subjetiva de homens e mulheres do povo para uma organização de novo tipo.  Como dizia o velho Prestes, precisamos dos quadros para romper com toda essa estrutura, para elevar a sociedade capitalista em sociedade socialista, em uma Revolução, mudando paradigmas e eliminado, de uma vez por todas, a Esfinge e seu enigma.
 
De acordo com todo o exposto, nossas indicações de voto são:
PRESIDENTE: Fernando Haddad 13.
GOVERNADOR: Camilo Santana 13.
SENADORES: Legenda 13. / Legenda 13.
DEPUTADA ESTADUAL: Érika Carvalho 13131.
DEPUTADO FEDERAL: Fátima Oliveira 1344.

A candidata a Deputada Federal Fátima Oliveira é militante social na área da saúde e liderança de movimentos por direitos das pessoas com deficiências. A candidata a Deputada Estadual Érika Carvalho é estilista e atualmente é Secretaria Estadual de Cultura do PT-CE.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

J5J presente no 3° Encontro das Juventudes com Cuba

A Juventude 5 de Julho (J5J) esteve presente no 3° Encontro das Juventudes com Cuba, realizado no ultimo sábado, 11/ 08, no auditório da ADUFC. Com a temática “A luta anti-imperialista da juventude latinoamericana e a resistência ao golpe neoliberal”, e participaram do encontro várias organizações de juventude. O encontro contou também com a presença da Consulesa Geral de Cuba para o Nordeste do Brasil Laura Pujol.

Num primeiro momento, o grupo Verso de Boca encantou a todos com um recital de poemas para a resistência e luta. Em seguida, a Deputada Federal Luizianne Lins, que estava presente na atividade, fez uma saudação especial à Casa da Amizade Brasil-Cuba e disse que “é importante a movimentação em torno da revolução cubana, fazer a juventude de hoje lembrar o que representou o processo revolucionário. Que a revolução não foi uma escolha, mas uma necessidade”.

A Consulesa Laura Pujol disse que “quero ressaltar que no contexto do momento politico que vive o país e a importância de chamar a juventude para debater essas questões”.

A Juventude 5 de Julho saúda a realização do 3° Encontro e declara que a solidariedade e compromisso da juventude brasileira para com a Revolução Cubana é concretizado pelos acontecimentos em comum que aproximam nossos povos, através das lutas populares de libertação e rebeldia que constroem a história de ambos os paises.

INVERTA/ Sucursal CE

Fórum debate a luta por saúde pública em tempos de golpe neoliberal e conclama por uma plataforma única em defesa do SUS

O Fórum em Defesa do SUS promoveu no ultimo dia 11/08, sábado, no auditório da ADUFC, o debate “Em defesa do SUS no contexto do desmonte da seguridade social e dos ataques aos trabalhadores brasileiros”, a fim de discutir os desafios da luta em defesa de uma saúde publica de qualidade e a construção de uma plataforma única de luta. Participaram do debate, a professora Alba Pinho, o médico Manoel Fonseca e a enfermeira Auxiliadora Alencar e contou com a presença de militantes sociais, sindicalistas e interessados em geral.

A professora Alba Pinho, o golpe de 2016 interrompe o avanço das conquistas sociais duramente conquistados, nas mais diferentes esferas, e inviabilizam a garantia dos direitos fundamentais, em claro processo de regressão social. Esse golpe representa o rompimento do pacto da constituição cidadã de 1988 e do pacto lulista de enfrentamento a pobreza.

O médico Manoel Fonseca traçou um quadro dramático do desmonte do SUS, que interessa apenas aos que querem privatizar e lucrar com a saúde. Ressaltou também a perversidade do modelo neoliberal na assistência à saúde,  que atinge em especial as parcelas a vulneráveis da sociedade, que passarão a morrer por não terem dinheiro para pagar planos de saúde.

Já a enfermeira e sindicalista Auxiliadora Alencar pontuou os termos da desregulamentação e precarização do trabalho dos profissionais da saúde, no contexto do desmonte do SUS, e a luta pelo concurso público.

Ao final, o Fórum conclamou a todos os militantes sociais a construção de uma plataforma única de luta popular em defesa de um SUS 100% público, universal e de qualidade. Que compreenda a assistência a saúde como projeto de sociedade que possa oferecer aos trabalhadores vida plena e digna.

O Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) e a Juventude 5 de Julho (J5J) assim como muitos outros sindicatos, entidades de categorias e demais movimentos sociais, constroem o Fórum em Defesa do SUS  e saúdam a realização do riquíssimo momento de construção e partilhamento de ideias em torno do SUS que nós queremos.

Inverta/Sucursal CE

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Programa Rádio Debate discute desafios da luta em defesa do SUS

Representantes do Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo (CLCN) e do Fórum em Defesa do SUS participaram hoje (07/08) de uma mesa-redonda no programa Rádio Debate, da Rádio Universitária FM 107,9, para discutir os desafios da luta em defesa do SUS, o desmonte dos direitos sociais e os ataques aos trabalhadores. O debate profícuo entre os participantes denunciou o desmonte dos serviços de assistência à saúde aprofundados depois do golpe neoliberal de 2016, principalmente com a implementação do teto dos gastos, a EC-95. Denunciou ainda o colapso nos atendimentos nos serviços e o sucateamento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Importante frisar que o Sistema Único de Saúde (SUS) surgiu como pauta de movimentos sociais e comunitários em todo o Brasil desde o final da década de 1970, principalmente nos bairros e periferias das cidades brasileiras. Com a Constituição Cidadã de 1988, o SUS foi incorporado como um direito social e uma grande conquista de todo o povo brasileiro.

O Fórum em Defesa do SUS realizará o debate “Em defesa do SUS no contexto do desmonte da seguridade social e dos ataques aos trabalhadores brasileiros” no dia 11/08, sábado, a partir das 8h. Na ocasião será construída uma plataforma de luta com os movimentos sociais em defesa da saúde pública, gratuito e de qualidade.

INVERTA/Sucursal CE

domingo, 5 de agosto de 2018

As masmorras do juiz Moro têm brechas

O golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff em agosto de 2016 tinha como objetivo, da mesma forma que o golpe de 1964, impedir a realização da vontade da maioria do povo e colocar os rumos do país nas mãos das oligarquias corruptas dispostas a romper com a legalidade e a legitimidade.

Com todos os limites que têm as eleições burguesas, particularmente de 2002 para cá, no Brasil, a maioria do povo vinha repudiando o programa neoliberal imposto na década anterior. O processo eleitoral para o Executivo federal adquiriu caráter plebiscitário, ao consagrar um majoritário não às reformas neoliberais, incluindo nosso país na contratendência que se afirmava na América Latina.

Passar por cima da vontade popular se tornou o objetivo das oligarquias porque o horror neoliberal não conseguia mais a aprovação das urnas. Com a eclosão da crise de 2008, nos Estados Unidos, inicia-se uma inflexão que vai acender o sinal amarelo em 2013 e o vermelho em 2016. Concretizado o golpe, passam os golpistas a manobrar para superar a crise do capital e suas implicações sobre o ciclo econômico no país através de um programa neoliberal privatista, entreguista, antidemocrático, antipopular e antioperário, que suprimiu direitos, programas, conquistas econômicas e sociais do povo brasileiro e passou a transferir e desviar os recursos do Estado para os bolsos das oligarquias e dos corruptos dentro das instituições que defendem o golpe.

Rasgar os 54 milhões de votos consagrados à presidenta Dilma Rousseff teve como resultado imediato o grande aumento de abstenções, votos em branco e nulos na eleição de 2016, chegando o total, nas grandes cidades, a mais de 30 por cento; nas recentes eleições em Tocantins, considerando o caráter atípico de sua realização, esse total ultrapassou 50 por cento.

Mesmo nesse cenário, a exigência de eleições limpas e que tenham o seu resultado respeitado deve ser um horizonte imediato das forças populares e progressistas. No caso das eleições de 2018, a participação de Luiz Inácio Lula da Silva é condição primeira para que tenham alguma legitimidade. Portanto, o outro lado dessa equação é a luta por sua libertação e denúncia da injusta sentença que o condenou à prisão. Condenação sem provas e prisão que a cada dia se torna motivo de perplexidade para aqueles que o apoiam e nele querem votar, e de escárnio internacional, porque se o controle quase absoluto da mídia golpista pode turvar a real percepção dos fatos, os próprios fatos vão mostrando que há algo de podre no reino de Moro.

Além da defesa intransigente do direito de Lula ser candidato, se impõe um grande esforço para a eleição de candidatos populares ao legislativo federal e às assembleias estaduais. Ampliar a presença de candidatos populares e progressistas no Legislativo é crucial para derrotar o golpe. Com as devidas ressalvas de contexto que não pode ser repetido mecanicamente, o exemplo do México deve nos inspirar na eleição de um executivo e legislativo progressistas no Brasil.

A luta no terreno institucional e democrático pode se ampliar para além da disputa eleitoral, mas, para isso, as forças populares e progressistas devem abraçar um programa que incorpore a luta pela libertação do ex-presidente Lula, a revogação de todas as medidas neoliberais, o retorno do eixo de desenvolvimento centrado na integração regional e cooperação soberana internacional, e uma Constituinte exclusiva, livre e soberana que constitua novas instituições democráticas e isentas do judicialismo e fundamentalismo fascista e religioso.

Os golpistas têm pressa, querem entregar aos grandes conglomerados estrangeiros o que resta das empresas estatais ou de economia mista até o final do governo. Entregaram o Pré-Sal. A Embraer, quarta empresa mundial produtora de aeronave, foi vendida para a Boeing por 10% do que o BNDES investiu na empresa! É bom lembrar que ultimamente a Embraer ampliou sua atuação para incluir a produção de equipamentos de defesa. Os golpistas escondem que estão entregando meios de defesa do país ao controle dos Estados Unidos.

Por outro lado, a luta contra a perda da soberania nacional tem se intensificado nas manifestações populares e no judiciário. Os trabalhadores da Eletrobras realizaram no dia 16 de abril uma grande mobilização contra a privatização da estatal e contra as milhares de demissões realizadas nos últimos dois anos. No último dia 27 de junho, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski concedeu liminar impedindo que o governo venda, sem autorização do Legislativo, o controle acionário de empresas públicas de economia mista, subsidiárias e controladas por estatais, atingindo diretamente as intenções do usurpador Temer de vender a Eletrobras. Reagindo à entrega do Pré-Sal às multinacionais e à dilapidação de importantes ativos da Petrobras, os trabalhadores, representados pela Frente Nacional dos Petroleiros (FNP) têm encaminhado ações populares para barrar processos de venda de bens da empresa.

A luta pela liberdade de Lula tem fatos novos que mostram o desgaste dos que o sentenciaram injustamente. A concessão do habeas corpus pelo desembargador Ricardo Favreto em 8 de julho mostrou uma pequena janela entre as masmorras do juiz Moro. Um gesto perfeitamente cabível nos procedimentos recursais e limitado, por representar uma posição minoritária no atual poder judiciário brasileiro, provocou as mais destemperadas e violadoras ações da mais básica hierarquia pertinente ao funcionamento da justiça.

O dia oito de julho entra para a História do Brasil como o dia em que o judiciário brasileiro impede a lei de ser cumprida. O habeas corpus que deveria livrar Lula do seu cárcere foi, de forma surrealista, impedido pelo juiz de primeira instância Moro, e pelos desembargadores Gebran Neto e Flores, ambos do TRF4, em uma sórdida e macabra articulação.

Agora, o judiciário parcial quer amputar dos seus quadros o desembargador Favreto, por se colocar na contramão do Estado de exceção em que está tomado o Poder Judiciário do Brasil. A ministra presidente do STJ, com um ar debochado, diz:

“É óbvio e ululante que o mero anúncio de intenção de réu preso de ser candidato não tem o condão de reabrir a discussão acerca da legalidade do encarceramento, mormente quando, como no caso, a questão já foi examinada e decidida em todas as instâncias do Poder Judiciário.” (Laurita Vaz, presidente do STJ, ao negar habeas corpus a Lula).

A direita neofascista faz Lula sangrar, assim como Prometeu. Lula sofre por ter dado o “fogo” das políticas públicas ao povo pobre e explorado pelo capital, de ter criado as condições do Brasil se tornar uma nação independente do império do norte. Lula é submetido ao sofrimento psicológico e à tortura de ter que conviver com seus algozes, homens medíocres e sem o menor pudor. Nem mesmo o centauro Quíron pode salvar Lula, como fez com Prometeu. Não pode! Contudo, o Quíron de Lula é o povo. E só a luta e a organização de quadros, junto com o povo, poderá decifrar o Enigma da Esfinge, livrando Lula da prisão e o povo de todo o sofrimento neoliberal.

O “superjuiz” Moro manda cancelar o despacho oriundo de instância superior e na qual não tinha mais competência para interferir, pois, diz os mais elementares princípios legais que a participação de um juiz em um dado processo se esgota ao proferir a sentença, somando mais arbitrariedades as já cometidas.

O juiz Sérgio Moro e o Ministério Público, na pessoa de Deltan Dallagnol, superam David Copperfield, o ilusionista dos Estados Unidos, conhecido por suas exibições espetaculosas e com uma habilidade de contar histórias, diga-se de passagem, mentiras, que a Rede Globo sempre adorou mostrar ao povo brasileiro. Condenam Lula por causa de um triplex cheio de ilusionismo global, uma farsa, que deveria levar todos os envolvidos para a cadeia.

Assim, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão sintetizou o drama: “Somos muito paroquiais. Enquanto uma tempestade sem precedentes históricos se faz anunciar sobre a humanidade, o Brasil se esgarça ao assistir um juizinho de província determinando, no melhor estilo dos anos de chumbo do século passado (...)”. (Eugênio Aragão, em ‘Prisão de irmão de Dirceu foi troféu do juiz populista Sérgio Moro’ - 11 de fevereiro de 2018).

Quando será contido? Não se pode dizer agora, mas é certo que tem desenvoltura e respaldo. Aliás, o que não falta também ao ministro da Segurança Nacional Raul Jungman, que atuou prontamente para impedir que a Polícia Federal cumprisse o despacho do desembargador Favreto. Ficou claro, no episódio, que as masmorras de Moro têm brechas que devem ser escancaradas e denunciadas para que a opinião pública nacional e internacional tome conhecimento dos seus desmandos e reaja contra eles.

Logo em seguida, em 12 de julho, Lula é absolvido da acusação de obstrução da justiça no caso do ex-senador Delcídio do Amaral. A sentença que absolveu Lula não reconhece valor probatório na delação premiada do referido senador. A condenação do juiz Moro tem sustentação em um corréu e delator informal. Por que a sentença que toma um depoimento como absoluto deve permanecer? Mais uma vez convergem para o STF as atenções, esperando que, em algum momento, reestabeleça os princípios elementares da justiça e do Estado de direito. E nas ruas, aumenta a mobilização pela liberdade de Lula, que deve atingir seu ápice até meados de agosto, quando abre-se o prazo para apresentação dos candidatos às eleições.

Aos comitês de luta contra o neoliberalismo cabe a grande tarefa de contribuir para organizar essa luta, construir a mais ampla unidade das forças populares e progressistas em defesa da liberdade de Lula e das eleições. Garantir que as eleições ocorram e que sejam respeitados os direitos políticos de todos os cidadãos, entre os quais é imperativo que se inclua Lula, pois não há razões para que continue preso e com os seus direitos políticos cerceados. Por último, conduzir essa luta para além da disputa eleitoral, defendendo a unidade programática e de ação até a derrota final do golpe.

Estamos em um Estado de exceção! Sendo isso verdade, alguém em sã consciência acredita que as eleições será um ato lícito? Se acreditamos que a presidenta eleita Dilma Rousseff foi tirada da Presidência sem crime de responsabilidade e o que vivemos no Brasil é um Golpe, como podemos acreditar que (eles) deixarão o povo escolher o que melhor lhes convêm?

A tese da Anulação do impeachment não foi aceita pela esquerda eleitoral. Imagina se todas as forças fossem postas para cercar o STF e exigir a ANULAÇÃO DO GOLPE na sua origem, assim como fez o Povo Venezuelano em 2002 quando deram o golpe no presidente Chávez.

Lutar pela liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva é uma necessidade, no entanto, não podemos fugir de outra necessidade, a subjetiva, organizar, organizar e organizar. Para as lutas atuais e futuras. 

Como dizia o velho Prestes, precisamos dos quadros para romper com toda essa estrutura, para elevar a sociedade capitalista em sociedade socialista, em uma Revolução, mudando paradigmas e eliminado, de uma vez por todas, a Esfinge e seu enigma.

As forças populares e progressistas têm um árduo trabalho pela frente, pois o golpe não foi dado para ser desfeito ao dobrar-se a primeira esquina. Mas as pequenas vitórias da luta contra as reformas neoliberais, cujo exemplo é a suspensão da privatização da Eletrobras e das outras estatais, e as fissuras na Bastilha do golpe, que a concessão do habeas corpus pelo desembargador Favreto ilustra, mostram que as contradições do golpe se tornam maiores e podem se intensificar. É momento de mobilizar a força dos trabalhadores da cidade e do campo e as forças progressistas e nacionalistas contra as reformas neoliberais, pela exigência de eleições democráticas e pela libertação de Lula e demais presos políticos, e apoiar candidatos comprometidos com esse programa, todas essas ações coordenadas vão acumular forças, desmoralizar os golpistas e aumentar suas contradições, e criar condições para a vitória contra o golpe.

Pela libertação do ex-presidente Lula!
Pela revogação de todas as medidas neoliberais!
Pelo retorno do eixo de desenvolvimento centrado na integração regional e cooperação soberana internacional!
Por uma Constituinte exclusiva, livre e soberana que constitua novas instituições democráticas e isentas do judicialismo e fundamentalismo fascista e religioso!
Pela Soberania Nacional! Em defesa de nossas riquezas naturais!
Abaixo o golpe!
Ousar Lutar, Ousar vencer! Venceremos!

13 de julho de 2018

Órgão Central do PCML-Br (Partido Comunista Marxista-Leninista - Brasil)

NOITE CUBANA: GRANDE DEMONSTRAÇÃO DE INTERNACIONALISMO COM CUBA EM FORTALEZA

Na noite de quinta-feira, 26/07, a Casa da Amizade Brasil-Cuba do Ceará promoveu a atividade “Noite Cuba: Celebrando a Integração da América Latina”, na ADUFC, em alusão ao 65 aniversário do assalto aos quartéis de Moncada e Carlos Manoel de Céspedes e também ao 27 aniversário da Casa da Amizade, com a presença de grande público, entre movimentos sociais, partidos políticos e convidados em geral. O momento ainda refletiu o sentimento de internacionalismo, por meio da integração cultural, plena unidade política em defesa da Revolução Cubana e nossa brasilidade.

Logo no início da noite, o frenético ritmo da salsa ecoou pelo salão, convidando a todos.  Após o animado momento de dança, a presidenta da Casa da Amizade Brasil-Cuba do Ceará, a companheira Eunice Bezerra agradeceu a todos os presentes, fez um resgate histórico do significado do 26 de julho, considerado o inicio da Revolução Cubana. E o protagonismo que a Casa da Amizade assume desde que foi fundada em 1991, em pleno período especial, um tempo muito difícil para os cubanos. 

Ao coro “Lula Livre”, “Lula Presidente”, o cortejo do maracatu Solar entrou pelo salão trazendo a rica musicalidade das loas e dos diferentes batuques do maracatu, com personagens como índios, balaieiro, negras e baianas. Um momento ímpar da integração entre a cultura de povos latino-americanos. 

O Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) e a Juventude 5 de Julho saúdam a realização de “Noite Cuba: Celebrando a Integração da América Latina” e reafirmam que internacionalismo proletário e o sentimento de solidariedades entre os povos é sobretudo um profundo sentimento que nos faz humanos.

INVERTA/Sucursal CE

quarta-feira, 25 de julho de 2018

5 de Julho: Resgatando a rebeldia do povo!

O Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) e a Juventude 5 de Julho promoveram nesta quinta-feira, 5/07, no Centro de Humanidades da UECE,  o debate “Resgatando nossa História de Rebeldia: Rememorando o 5 de Julho Revolucionário”, com a presença de militantes, lideranças comunitárias e estudantes. O objetivo da atividade foi fomentar a discussão em torno das histórias de resistências do povo brasileiro e propor novas iniciativas para de luta.

Ao contrario do que a classe dominante diz, o povo brasileiro não aceita as desigualdades sociais calado. O povo trabalhador se indigna e luta para transformar as injustiças, e prova disso é a rica história de resistência de todo o povo, desde os exemplos de Canudos, Caldeirão, os mártires da resistência contra a ditadura fascista de 1964, os eventos revolucionários de 5 de julho de 1922, 1924 e 1935, além de muitos outros homens e mulheres anônimos que combatem diuturnamente contra o sistema capitalista explorador.

O comandante Ernesto Che Guevara, em O Socialismo e o Homem em Cuba, afirma que “a revolução se faz através do homem, mas o homem deve forjar no dia a dia seu espírito revolucionário”. Assim, quando homens e mulheres do povo tomam para si a iniciativa, eis o nascedouro da revolução. 

O debate foi movimentado e profícuo para todos os presentes, demonstrando toda a disposição da juventude em avançar na luta por uma organização genuinamente de novo tipo.

Viva Luiz Carlos Prestes!
Viva o 5 de julho de 1922, 1924 e 1935!
Viva a história de luta e resistência do Povo Brasileiro!
Sucursal CE

 FONTE: Jornal Inverta.

Projeto de nova Constituição em Cuba, o povo tem a palavra

A Assembleia Nacional do Poder Popular (Parlamento) convocou os cubanos a emitirem opiniões sobre um projeto de Constituição que busca substituir a carta magna vigente desde 1976 por um documento baseado nas transformações em curso na ilha.

Reunidos na primeira sessão plenária da IX Legislatura (2018-2023), os deputados acordaram ontem no Palácio de Convenções de Havana que a realização da consulta popular será de 13 de agosto a 15 de novembro, processo após o qual o texto retornará ao Parlamento.

Enriquecido pela opinião dos habitantes da ilha, o projeto de nova Constituição se perfilará então na Assembleia Nacional para um referendo que definirá sua aprovação ou não.

Merece destaque o objetivo de levar a discussão a todo o povo de um documento que está em sintonia com as transformações para aperfeiçoar o socialismo cubano, afirmou em entrevista com a Prensa Latina o deputado José Ángel Portal, recém-designado ministro de Saúde Pública.

De acordo com Ángel Portal, o projeto está à altura do momento histórico que vive a Revolução, e o importante agora é a consulta popular.

A secretária-geral da Federação de Mulheres Cubanas, Teresa Amarelle, e o presidente da Federação Estudantil Universitária, Raúl Alejandro Palmero, também comentaram à Prensa Latina sobre a necessidade de que o país conte com uma legislação de leis adequadas aos avanços na atualização do modelo socioeconômico.

Ao intervir ontem no encerramento da primeira sessão ordinária da IX Legislatura, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, ressaltou a importância da consulta, por se tratar de um 'exercício de participação direta do povo', que 'adquire a maior relevância política e será mais um reflexo de que a Revolução se sustenta na mais genuína democracia'.

Cada cubano poderá expressar livremente suas opiniões e contribuir para alcançar um texto constitucional que reflita o presente e o futuro da Pátria, insistiu.

O projeto de nova Constituição ratifica o caráter socialista de Cuba e recolhe mudanças na estrutura do Estado, entre estas a criação dos cargos de presidente e vice-presidente da República, e de primeiro-ministro, substituindo o atual presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.

Também amplia os direitos das pessoas, com questões como as garantias do devido processo, o Habeas Corpus, a presunção de inocência e a reinserção social dos privados de liberdade.

Também recolhe várias formas de propriedade, entre elas a socialista de todo o povo, a mista e a privada; e mudanças na instituição do matrimônio, já que define-o como a união entre duas pessoas, enquanto a carta magna vigente o reflete como a união acordada voluntariamente entre um homem e uma mulher.

A proposta relacionada com a modificação da instituição do matrimônio foi uma das mais debatidas aqui, e talvez a mais repercutida a nível internacional.

FONTE: Prensa Latina.

O dia que promoveu a mudança definitiva na história de Cuba

Duas peças, uma para a sala de jantar e outra para o quarto, além de um pequeno banheiro e uma cozinha compõem o apartamento número 603 do prédio 164 da rua 25, entre O e Infanta, no bairro do Vedado, em Havana. Ali, começaram a preparar as ações de combate de 26 de julho de 1953.

Naquela data, os ataques foram realizados no Quartel Moncada, em Santiago de Cuba e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, ambos na região de Oriente, a fim de coletar armas e desenvolver a luta contra o governo ditatorial de Fulgencio Batista, que tinha sumido o país no caos político, econômico e social.

Abel Santamaría Cuadrado, um dos muitos jovens que aderiram a essa causa, residia naquela casa e naquela época era empregado de uma agência de automóveis. Alugou o apartamento em janeiro de 1952 devido à proximidade de seu centro de trabalho e, em seguida, trouxe sua irmã Haydée para morar com ele, para ajudá-lo com os afazeres.

Assim relata o mestre em História Seriozha Mora Candebat, especialista do museu Casa Abel Santamaría, que pesquisou as qualidades revolucionárias daquele patriota, nascido em 20 de outubro de 1927, no município Encrucijada, na província de Villa Clara.

Em 1947, Abel chegou à capital com o objetivo de se tornar profissional. Ganhou um concurso para se inscrever na Escola de Comércio e ao mesmo tempo estudou o bacharelado. Conseguiu um emprego como trabalhador de escritório na Textileira Ariguanabo Textile e depois trabalhou na agência de automóveis Pontiac, onde levava a contabilidade e a caixa. Militou no Partido Ortodoxo, uma das organizações com possibilidades de tomar o poder político de não ser frustrado pelo golpe de estado de Fulgencio Batista, em 10 de março de 1952.

Como Abel Santamaría, muitos jovens expressaram sua insatisfação com tais atos inconstitucionais e bastou uma reunião com o advogado Fidel Castro Ruz, no cemitério de Colón. Em 1º de maio daquele ano, depois de lembrar o mártir Carlos Rodríguez, proeminente revolucionário cubano durante os anos da república neocolonial, uma amizade e um pacto de mudança social para Cuba foram selados.

Nos próximos dias, Fidel visitou frequentemente o apartamento do Vedado e iniciou-se um movimento, mais tarde conhecido como Movimento 26 de Julho (M-26-7), baseado na reflexão, análise e propostas de ação derivadas das reuniões. A premissa era tomar as armas para derrubar Batista, que tinha entrado no governo usando violência.

«Fidel avalia a discrição no prédio, aqui há silêncio e tranquilidade por parte de seus vizinhos, também é um lugar seguro com duas portas de acesso, uma na rua 25 e outra na rua O, que favorecia as reuniões, os contatos e as conspirações. Aqui vieram frequentemente Jesus Montané Oropesa, Melba Hernández, Raúl Martínez Arará, Ñico López, Boris Luis Santacoloma, Raúl Gómez García e outros jovens de Pinar del Río e Artemisa, que depois ofereceram suas vidas em Santiago de Cuba», realtou o historiador.

Em uma visita a Birán, na casa da família de Fidel, ele e Abel discutiriam os planos para uma futura ação armada. Decidiram tomar a fortaleza militar de Santiago de Cuba, que agrupa o regimento mais importante da região leste com 909 homens armados. Os assaltantes só poderiam reunir cerca de 160, incluindo duas mulheres, Melba Hernández e Haydée Santamaría.

«Nos dias que antecederam o ataque, o apartamento em Havana estava muito tranquilo e as reuniões diminuíram. O sigilo foi mantido para evitar a vigilância dos serviços de inteligência da ditadura. Em 7 de julho, Fidel enviou Abel para Santiago. Coube a ele finalizar os detalhes com o jovem de Santiago Renato Guitar, na casa Villa Blanca da chácara Siboney e, de lá, partiram rumo aos objetivos militares na noite de 25 de julho, madrugada de 26», salientou o entrevistado.

Naqueles dias já existiam outros locais de reunião na capital, como Jovellar 107, na casa de Melba Hernández, no bar Mi Tío, localizado no cruzamento da avenida Infanta com a rua 23, em uma casa no município de Marianao e o local de maior reunião, o prédio 910 na rua 11, onde Natalia Revuelta morava, uma grande colaboradora, que foi instruída para divulgar o fato na imprensa se alcançavam a vitória.

Fidel fechou o apartamento na rua 25, na noite de 24 de julho de 1953 e partiu para mudar a história. Após o fracasso da ação, Abel Santamaría foi preso no hospital Saturnino Lora em Santiago de Cuba por uma traição, ele foi torturado violentamente, assassinado e seus olhos retirados para mostrá-los a sua irmã Haydée e subjugá-la. Nos dias seguintes, os serviços de inteligência da ditadura ocuparam o apartamento da rua 25, na capital cubana, em busca de provas, mas não encontraram nada.

No mês de agosto, a mãe de Abel, Joaquina Cuadrado e sua irmã Aida, colheram os pertences do apartamento em Havana para que os proprietários pudessem alugá-lo a outras famílias. Quando a Revolução triunfou em 1959, Haydée Santamaría, então diretora da Casa das Américas, evocava em conversas com artistas e intelectuais, seus dias vividos naquele lugar. Surgiu assim a ideia de convertê-lo em um museu.

Em 9 de junho de 1973, a instituição foi inaugurada, pertencente ao Conselho Nacional da Cultura e posteriormente ao Ministério da Cultura. Dada a sua proeminência na história de Cuba, recebeu a categoria de Monumento Nacional em 1980. A este local, com a estrutura de um museu de tipologia histórica, muitas pessoas chegam indagando sobre a história do Ataque ao Quartel Moncada.

ARTEMISA NO MONCADA

Em 24 de julho de 1953, José Ramón Martínez Álvarez beijou sua mãe dizendo-lhe que ia viajar a Varadero. Como ele, muitos outros jovens de Artemisa (província a sudoeste de Havana) despediram-se de suas famílias para partirem para Santiago de Cuba.

A José Suárez Blanco (Pepe), membro da Direção Nacional do Partido Ortodoxo, Fidel deu a missão de estabelecer parte do Movimento 26 de Julho em Artemisa. Os anos de trabalho permitiram reunir recursos econômicos, pessoas e até pensar inclusive o programa que seria realizado quando a vitória fosse alcançada. Foi o próprio Fidel, que explicou a eles durante um encontro, em 1952, os aspectos mais significativos dessa mudança radical em Cuba, que abrangeria questões como a terra, a industrialização, a habitação, o desemprego, a educação e a saúde.

Na medida em que o M-26-7 se consolidava, a ação armada tornou-se inevitável. As práticas de tiro aumentaram nas fazendas vizinhas, as reuniões eram discretas e as armas foram mantidas em cavernas perto das casas. O tempo passava e as ações se conseguiam com melhor organização e disciplina por parte dos jovens de Artemisa. Assim, ganharam participação nas ações de Santiago de Cuba.

De Artemisa, 28 jovens, entre eles o atual Comandante da Revolução Ramiro Valdés Menéndez, foram aos eventos do Moncada. «Nós éramos um grupinho, mas levávamos o espírito do povo, inspirado pela prédica de Marti de não ver de que lado se vive melhor, mas de que lado é o dever», asseverou Ramiro Valdés em 2014, quando comemoraram nesta província mais um aniversário do fato histórico.

De Havana, viajaram por diferentes rotas. Alguns foram de trem, outros de ônibus e os menos de carro. Já em 25 de julho, camuflados entre a multidão dos carnavais, os combatentes se transladaram em pequenos grupos para a chácara Siboney.

Nas ações de 26 de julho, 14 jovens de Artemisa perderam a vida. Outros continuaram a viagem e também estiveram no desembarque do iate Granma e na luta na Serra Maestra. Todos eles são lembrados hoje no Mausoléu dos Mártires de Artemisa.

Inaugurado em 16 de julho de 1977 e dedicado à memória daqueles jovens de Artemisa da Geração do Centenário, este espaço é hoje de visita obrigatória para quem quer conhecer a cota de heroísmo que esta cidade entregou à causa revolucionária. Os restos dos caídos, alguns de seus pertences e fotografias podem ser vistos neste local onde também, desde o ano 2000, descansam aqueles moncadistas da província que morreram após o triunfo da Revolução.

Na entrada, uma frase de rebeldia e alento proferida por Fidel em sua histórica alegação A História me absolverá acompanha esses heróis: «Meus companheiros, além disso, não são esquecidos nem mortos: vivem hoje mais do que nunca, e seus matadores têm que ver aterrorizados como emerge o espectro vitorioso de suas ideias de seus cadáveres».

O FATO HISTÓRICO

Na madrugada de 26 de julho, na chácara Siboney, em Santiago de Cuba, o Manifesto de Moncada, escrito por Raúl Gómez García, foi lido com vigor. Depois de cantar o Hino Nacional, vários grupos de jovens armados partiram para atacar o Quartel Moncada, tomar o Palácio da Justiça e o Hospital Saturnino Lora, na cidade de Santiago. Em uníssono, em Bayamo, dirigiam-se para o quartel Carlos Manuel de Céspedes.

Antes dos ataques, Fidel falou para seus companheiros: «Poderão vencer em poucas horas ou ser derrotados; mas em todo caso, ouçam bem, camaradas! O movimento triunfará de qualquer forma. Se vencermos amanhã, o que José Martí aspirou será mais cedo. Se ocorrer o contrário, o gesto servirá de exemplo ao povo de Cuba para levar a bandeira e seguir em frente. As pessoas nos apoiarão no Oriente e em toda a ilha. Jovens do Centenário do Apóstolo! Como em 1868 e 1895, aqui no Oriente damos o primeiro grito de Liberdade ou morte! Vocês já conhecem os objetivos do plano. Sem dúvida é perigoso e todo aquele que saia comigo esta noite deve fazê-lo por sua vontade absoluta. Ainda estão na hora de decidir. De qualquer forma, alguns terão que ficar por falta de armas. Aqueles que estão determinados a ir deem um passo à frente. A consigna não é matar, mas por última necessidade».

Os 131 combatentes vestidos com uniformes do exército organizaram-se em três grupos: o primeiro direcionava seus esforços ao prédio principal: o quartel Moncada. O resto, liderados por Abel Santamaría e Raúl Castro, tentariam tomar o Hospital Civil e o Palácio da Justiça, respectivamente.

Tudo começou. Fidel, encarregado do primeiro grupo, chegou como planejado até seu objetivo. A chegada inesperada de uma patrulha de rota provocou um disparo prematuro que alertou as tropas e permitiu a mobilização do exército para o interior do quartel.

Sobre os acontecimentos daquele dia, rememora Fidel na entrevista feita pelo escritor e jornalista espanhol Ignacio Ramonet, para seu livro Biografia a Duas Vozes:

«Um carro me resgata no final. Eu não sei como ou por que, um carro vem na minha direção, chega onde estou e me pega. Ele era um jovem de Artemisa, que dirigindo um carro com vários companheiros entra onde eu estou e me resgata (...) Eu sempre quis falar com aquele homem para saber como ele entrou no inferno dos tiroteios lá».

Abel e Raul triunfaram em seus objetivos, no entanto, o inimigo era superior em armas e homens, e pôde rejeitar o ataque.

Em Bayamo aconteceu a mesma coisa. O plano era baseado no fato de que um residente da cidade, bem conhecido pela guarnição do quartel, acompanharia o chefe do ataque e conseguiria entrar no local. Uma vez lá dentro, desarmariam o vigilante e iriam forçá-lo a abrir o portão de entrada para que o resto pudesse entrar no local. O plano não aconteceu como planejado, porque a pessoa que atuaria como guia nunca apareceu e tiveram que tentar o ataque de outra maneira.

Os eventos que aconteceram naquele dia não triunfaram, mas alcançaram o objetivo de marcar o início de uma nova etapa na luta revolucionária contra a ditadura pró-americana de Fulgencio Batista.

Essas ações lideradas por Fidel Castro Ruz manifestaram ao povo que a luta armada seria o caminho a ser usado para conquistar a vitória, depois trouxe a expedição do iate Granma em 2 de dezembro de 1956, que abriu uma frente de guerrilha na Serra Maestra.
Em 1 de janeiro de 1959, a fase insurrecional da Revolução culminaria com a derrubada da tirania e a tomada do poder político. Atualmente, o antigo Quartel Moncada é a Cidade Escolar 26 de Julho, e parte dessa edificação foi condicionada como museu para que essa epopeia nunca fosse esquecida. •

FONTE: Granma.

sábado, 14 de julho de 2018

Quem recorre a Escudos Humanos: o Hamas ou Israel?

Nestes dias, na tentativa de desviar a indignação da opinião pública do massacre da população civil perpetrado pelos bombardeamentos da aviação israelense, uma campanha nos vários meios de comunicação, claramente planeada em Tel Aviv, repete incessantemente o seguinte argumento: sim, é verdade, mulheres e crianças palestinas são assassinadas e martirizadas em massa pelas bombas israelenses (e americanas), até com armas proibidas pelas convenções internacionais, mas a culpa toda é... do Hamas, que se serve de mulheres e crianças como escudos humanos.

Mas eis aqui um comentário no International Herald Tribune de 22 de Junho de 2006, escrito por Haim Watzman, que antes havia servido nas fileiras do exército de Tel Aviv:

"Há nove meses o Supremo Tribunal de Israel proibiu o exército israelense de usar civis (palestinos) como escudos humanos para invadir casas onde se julgavam estar combatentes palestinos. Na semana passada o diário israelense Haaretz afirmou que a consequência desta decisão foi pôr os civis palestinos numa situação de ainda maior perigo: os soldados já não entram nas casa para procurar os seus alvos; o exército usa bulldozers para demolir as casas com as pessoas no interior".

Assim, ficamos a saber de fonte insuspeita que os primeiros a usar como escudos humanos os Untermenschen (sub-humanos) palestinos são os próprios que hoje pretendem marcar como bárbara a resistência. O exército de Tel Aviv parou de utilizar esta técnica apenas para poder sepultar mais rapidamente e sem distinções as suas vítimas.

E todavia, a julgar pela campanha que se desenrola nos meios de comunicação, não é lícito pôr em dúvida a verdade oficial, segundo a qual o recurso à utilização de escudos humanos é uma prática utilizada apenas pelos bárbaros do Hamas, pelos palestinos, pelos árabes e islâmicos de todo o tipo, incapazes de compreender o valor da vida humana.

Como explicar o êxito deste estereótipo? Poucas semanas antes do início da operação Barbarossa, surpreendido pela destemida resistência encontrada na União Soviética pelo exército hitleriano, a 11 de Agosto de 1941, Goebells anota no seu diário:

"Para os russos a própria vida tem apenas um valor subordinado, vale menos que uma limonada. Assim, renunciam à vida sem se lamentarem. Isto explica em grande parte a obtusa resistência que os bolcheviques opõem ao ataque alemão".

Nos grandes meios de "informação" italianos e ocidentais Goebells celebra por estes dias o seu póstumo triunfo.

(Para um mais amplo tratamento dos temas aqui abordados remeto para o meu livro "Il linguaggio dell'Impero" "A linguagem do Império", Laterza, 2009).

Domenico Losurdo