quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Índios Tremembé sofrem ameaças de empresários

O conflito por território envolvendo a etnia indígena Tremembé e o empreendimento espanhol “Nova Atlântida”, no município de Itapipoca, se agrava a cada dia que passa. Segundo a liderança Adriana Tremembé, essa questão ainda existe, pois não há uma demarcação das terras. Nos últimos três meses, de acordo com Adriana, as barracas e plantações do sítio de retomada indígena instalado no local foram destruídas duas vezes, e ameaças aos que resistem circulam na comunidade.


“No dia 10 de setembro, queimaram as barracas e, um mês depois, um grupo de 15 homens armados chegaram à aldeia, derrubaram a cerca e uma casa de alvenaria que tínhamos construído para as reuniões da associação. Eles chegaram com um advogado dizendo que era da empresa espanhola”. Após este acontecimento, os índios receberam uma nova ameaça. “Entramos em contato com os Direitos Humanos, que enviou policiamento para nos proteger. Estamos em um momento difícil, escutamos a todo instante que estamos juradas de morte”, desabafou, Herbênia Rosa, liderança da aldeia Tremembé Buriti.

Na tarde de ontem, eles estiveram reunidos na sede do Conselho Regional de Serviço Social (Cress). “Estamos aqui para dar este grito por justiça. Para que as autoridades saibam do que está acontecendo, sensibilizem-se por esta causa e não deixe demorar muito tempo, pois é nossa vida que está em jogo”, implorou Adriana, que acrescenta que, fora a disputa das terras com a empresa espanhola, ainda há conflitos com os também indígenas das mesmas terras, mas que trabalham para os empresários. “Quando eles chegaram com o projeto do resort em 2002 para nos mostrar, muito ficaram encantados com a proposta de mudança de vida e, por causa disso, nossa aldeia se dividiu e, até hoje, estamos em conflito”, afirmou.


AS TERRAS

A região contestada e em disputa é uma faixa litorânea com dunas, manguezais, nascentes de água doce e uma extensa área de marinha, totalizando 3,1 mil hectares. Segundo os índios Tremembé, a ideia da empresa é ocupar o espaço com um grande complexo turístico formado por vários hotéis e até campo de golfe. Para os índios, entretanto, ali está uma terra que foi de seus antepassados e que guarda sua ancestralidade. Adriana informou que o caso já foi encaminhado ao Ministério Público do Ceará e à Fundação Nacional do Índio (Funai), mas, até agora, não tiveram resposta.  Nas terras, vivem cerca de 200 famílias. (Camila Vasconcelos).


Fonte: 
Jornal O Estado
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