sábado, 7 de março de 2015

As bruxas da noite contra o nazismo

Essa história não é uma lenda, realmente aconteceu. Durante a Segunda Guerra Mundial, nas fileiras do Exército Vermelho, existiu um grupo de combate de mulheres comunistas que é considerado uma das mais gloriosas páginas na luta contra o nazismo.


Em 1941, Marina Raskova - a primeira mulher piloto formada da URSS - sugeriu à Stálin que fosse criado um grupo especial de combate para a aviação soviética, sendo até agora a única unidade militar em toda a história da aviação a ser formada exclusivamente por mulheres a ter combatido em uma guerra.

Foi criado então três regimentos aéreos de bombardeio noturno: o 586, 587 e o lendário 588 - liderado por Marina Raskova -, os quais entraram em operação em princípios de 1942.

O mais relevante é que estas heroicas mulheres soviéticas, que já impressionava por serem bastante jovens, treinavam por um ou dois meses antes de voar em combate. Pela discrição que a missão exigia, eles pilotavam uns pequenos aviões de madeira e lona que faziam bem menos barulho em relação às outras aeronaves da época. Estes aviões de madeira tinham uma grande capacidade de planar e eram ideais para as ações quase suicidas destas valentes e jovens mulheres soviéticas.

Então, pela manhã o Exército Vermelho atacava pela manhã as posições nazistas. À noite, estas heroínas voavam nestas rudimentares aeronaves, sem radares e nem rádio, guiando-se somente por uma bússola e um relógio.

Para evitar que fossem detectadas pelos nazistas – e também por discrição -, elas tinham que voar muito baixo e em certo momento desligavam o motor, deixando a aeronave planar até os alvos e jogando bombas sobre os nazistas. Ao atingir o alvo, ligavam novamente os motores e escapavam com todo o gás.

A pequena aeronave de mecânica simples não possuía lançadores de bombas, sendo que os explosivos eram lançados à mão pelas próprias mulheres.

Apesar de toda a aparente fragilidade das aeronaves, estas missões eram muito temidas pelas tropas hitleristas por causar grandes baixas, e também pelo fator surpresa. Os nazistas se referiam à elas com profundo temor e respeito por "Nachthexen", ou Bruxas da Noite. Os nazistas chegaram a oferecer a Cruz de Ferro, comenda máxima do Exército Alemão Nazista, a quem derrubasse alguma destas heroínas, que eram quase indetectáveis, confundidas por um leve sibilar que produzia o vento à noite.

Os regimentos de mulheres de bombardeio noturno realizaram durante a guerra 24.000 vôos e lançaram 3.000 toneladas de explosivos sobre os nazistas.

Apesar da extrema delicadeza e sucesso frente às hordas nazistas, a comandante do grupo, Marina Raskova, caiu em combate em 4 de janeiro de 1943. Ela recebeu postumamente o título de Heroína da União Soviética, juntamente com outras 24 heroínas pertencentes ao grupo.

Para os nazistas eram Bruxas da Noite, mas para toda a humanidade são heroínas do Comunismo.


Adaptado de: Las Brujas de la Noche, Texto originalmente publicado em Tribuna Popular (Venezuela), em 10 de dezembro de 2014.
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