segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O Pentágono vem socorrer o Estado Islâmico

A 27 de Outubro, o Secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter, anunciou que o Pentágono está a ponderar “uma acção directa no terreno” tanto no Iraque como na Síria, num esforço para combater o grupo terrorista do autoproclamado Estado Islâmico”. (Sputnik, 27 de Outubro,2015).
Contudo, a agenda não tão oculta não é “combater” mas sim “proteger e ir em socorro” do grupo terrorista Estado Islâmico.
Qual é a novidade? Estaremos a testemunhar um processo de escalada militar?
Os EUA e os seus aliados já têm botas no terreno na Síria. Não é oficial, trata-se de uma dita “operação encoberta” da qual já toda a gente sabe.

O Pentágono, juntamente com a OTAN, a Turquia e Israel, et al, têm despachado de modo rotineiro para o teatro de guerra sírio os seus conselheiros militares, forças especiais e operacionais dos serviços secretos. Estas forças estrangeiras têm trabalhado no seio das hostes rebeldes desde o início da guerra na Síria em Março de 2011.
Embora nem Washington nem a comunicação social de massas tenham reconhecido “oficialmente” a sua presença na Síria, há que compreender que essas forças especiais ocidentais têm levado a cabo funções rotineiras de comando no seio dos vários grupos terroristas correlacionadas com a coligação liderada pelos EUA-OTAN. Por outras palavras, são amplamente responsáveis pela coordenação de incontáveis operações terroristas do EIIL e do Al Nusrah contra civis no interior da Síria em favor da coligação liderada pelos EUA. Escusado será dizer, contam também com o apoio da campanha aérea dos EUA, que teoricamente tem atingido (em vez de “proteger”) os terroristas.
“A Responsabilidade de Proteger” (R2P) Os Terroristas
Em reacção aos bombardeamentos da Rússia contra o EIIL, Washington pondera agora anunciar “oficialmente” (aquilo que têm já feito nos últimos quatro anos) a sua resolução de colocar tropas no terreno numa extensa operação militar. Escusado será dizer, esta operação, caso seja levada a cabo sem o selo de aprovação do Conselho de Segurança da ONU, irá constituir uma violação da lei internacional (Nuremberga).
A administração dos EUA está a considerar a possibilidade de mobilizar para o terreno sírio um pequeno número de forças inserida nas tropas da oposição “moderada” curda, anunciou o The Wall Street Journal na quarta-feira, citando fontes oficiais dos EUA.
Os militares dos EUA também propuseram enviar um grupo de conselheiros de combate para a linha da frente com o exército iraquiano e, possivelmente, também com os rebeldes sírios. Contudo, esta proposta é qualificada pelo jornal como sendo a do cenário menos provável.
Mais, a Casa Branca irá examinar a opção de mobilizar um pequeno esquadrão de helicópteros ofensivos Apache para o Iraque para incrementar a luta contra o Estado Islâmico, afirmou o jornal. Esta medida implica mobilizar várias centenas de militares dos EUA para o Iraque, de acordo com o diário. Washington lidera a coligação que tem levado a cabo ataques aéreos contra as posições do EIIL na Síria e no Iraque desde 2014. Na terça-feira, o Secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter, afirmou que o Pentágono não excluía a realização de ataques no terreno contra os terroristas do EIIL. (Sputnik, 28 de Outubro, 2015)
Uma Zona de Voo Restrito
Outro desenvolvimento importante diz respeito à afirmação do Secretário da Defesa, Ashton Carter, de que embora “uma zona de voo restrito” não esteja a ser considerada pelo Pentágono no futuro mais imediato, não deixam de ser uma opção: “o presidente Barack Obama não ‘descartou’ a opção de uma zona de voo restrito na Síria”.
Entretanto, o Qatar anunciou estar a ponderar enviar tropas para o terreno na Síria. Esta revelação anunciada por Doha foi muito provavelmente formulado em Washington. De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Khalid al-Attiyah, o Qatar deve intervir militarmente em reacção à intervenção da Rússia em apoio ao governo de Bashar Al Assad. (CNN Arabic, 21 de Outubro):
“Para tudo aquilo que proteja o povo sírio e a Síria da divisão, não iremos poupar esforços em o desempenhar juntamente com os nossos irmãos sauditas e turcos, o quer que seja”.
Desde o início que o Qatar tem agido como intermediário dos EUA. Juntamente com a Arábia Saudita tem contribuído para o recrutamento, treinamento e financiamento dos terroristas ligados à Al Qaeda na Síria, incluindo o EIIL e o Al Nusrah.
Encontramo-nos numa Perigosa Encruzilhada
A diplomacia internacional colapsou. Os criadores da política externa dos EUA são ignorantes e corruptos, inconscientes quanto às implicações das suas acções.
Os ataques aéreos liderados pelos EUA estão a ser implementados simultaneamente com os da Rússia.
A ONU é um beco sem saída. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon (nomeado por Washington), apoia a guerra liderada pelos EUA sob a bandeira do humanitarismo.
Estas várias opções e ameaças por parte da coligação liderada pelos EUA – sem falar da taragelice que diz respeito à “opção da III Guerra Mundial” nos corredores do Congresso dos EUA – apontam para um cenário de escalada militar, com o potencial de levar a um confronto militar directo entre a coligação liderada pelos EUA e a Federação da Rússia.
Michel Chossudovsky

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