sábado, 23 de abril de 2016

O mercado é o suprassumo do ódio, da estupidez, da miséria e da fome.

Alguns pontos do debate que se faz na academia, nos governos e nos movimentos sociais sobre a relação do mercado com a produção de alimentos, a marginalização de 70 milhões de pessoas e o papel social e generoso do Estado têm que ultrapassar as pesquisas, as “boas” intenções e os discursos.

Aqui pelo Brasil e pela América Latina transitam turistas contemplativos da miséria e da pobreza e até alguns “caridosos”, que saem por aí a fazer campanhas pela Europa e pelos Estados Unidos em favor dos “pobrezinhos” que sofrem tanto com a pobreza.

Mas esses infelizes que se “emocionam” ao ponto de lagrimejar com o sofrimento do próximo jogado na miséria – literalmente jogado na miséria, porque o ser humano não é feito para viver e morrer na miséria – nada fazem para pressionar as mudanças mais profundas.

Os tais atos de caridade apenas amenizam a fome, mas não a resolvem em profundidade, até porque os caridosos não têm consciência do que fazer nem interesse.

Têm medo de denunciar os responsáveis que causam a destruição de contingente escandaloso de pessoas que morrem de fome.

Se denunciarem os causadores temem que eles cortem as esmolas que lhes dão para suas mesquinhas caridades e viagens, que, na verdade, apenas servem para atenuar as culpas e sensações de inutilidade de suicidas vazios na Europa, particularmente na Suíça e na Suécia.

A morte pela fome não ocorre por causas naturais nem porque as pessoas sejam esquecidas por Deus e abocanhadas pelos demônios.

As causas são políticas, econômicas e sociais e têm culpados, que ganham com o abandono e a fome das pessoas. Uma das causas é ganância por lucro com os alimentos. É triste, feio e vergonhoso saber-se que há grupos tão canalhas que são capazes de se deixar custear pelo roubo e assalto às fontes de alimentos no mundo.

O agente de tal tragédia, sem dúvidas, é o odioso mercado, que insanos e ignorantes tanto defendem na academia e nas instâncias de poder.

O odioso mercado cerca os bens e as fontes de alimentos com poderosa estrutura que envolve:
· os bancos na sua fome de lucro e de poder econômico. Esse sistema desgraçado é tão diabólico e poderoso a ponto de domar os governos, os parlamentos e o judiciário, com o objetivo de travar as soluções em favor da produção e distribuição de alimentos de qualidade para o povo.

Exerce tal gama de pressão comprando o egoísmo, a estupidez e a mesquinharia de muita gente em todos os setores do poder;
· o aparato militar-policial: armas das mais tecnologicamente poderosas no mecanismo de extermínio, militares e policiais são treinados para odiar e destruir o ânimo dos que passam fome, empurrando-os para locais invisíveis dos olhos poderosos e dos turistas.

Impressiono-me com a frieza e desumanidade de militares e policiais jovens e adultos que, sem coração, batem em crianças, jovens, mulheres e velhos e até matam para blindar os interesses dos ladrões de alimentos, que enriquem com a fome de 70 milhões de pessoas que morrem de fome anual no mundo;
· a superestrutura imobiliária: é escandalosa a concentração de terras em poucas mãos de proprietários egoístas e medíocres socialmente, que as usam para especular ou produzir alimentos para o mercado e para as grandes transações financeiras, sem a menor sensibilidade com os milhões que morrem de fome sem necessidade para tanto, já que ainda o planeta terra dispõe de potencial para alimentar tranquilamente 12 bilhões de habitantes anuais, com justiça;
· a mídia dominante contribui desgraçadamente para incentivar a especulação com alimentos em detrimento dos irmãos e irmãs humanos/as que morrem de fome todos os dias. Ela se cala diante da miséria e da fome.

Quando se manifesta, o faz na tentativa de destruir as iniciativas em favor de reformas mais profundas na produção e de distribuição equitativa de alimentos. Uma vez o então Presidente Lula vestiu na cabeça um boné do MST.

Pronto, bastou para a mídia dominante fazer enorme estardalhaço contra ele dizendo que o Brasil corria o risco de ser dominando por uma revolução anarco sindicalista, que roubaria as terras dos “santos” e intocáveis grandes proprietários. Claro, Lula tomou algumas pequeníssimas iniciativas em favor da reforma agrária, nada mais profundo do sentido de desapropriar as terras nas mãos de 1% de proprietários que dominam 99% das fontes da produção de alimentos.

Até nisso é necessário regulamentar a mídia, mesmo que o governo Dilma se amedronte de fazê-lo, para que a realidade da produção e distribuição de alimentos apareça à luz do dia e diminua a função especulativa de engordar as contas dos poderosos, como acontece intensamente ainda;

· a imobilidade dos movimentos sociais e dos partidos, em particular, que pouco ou nada fazem para denunciar a iniquidade da produção e compartilha dos alimentos e para construir soluções de fundo, já que o mercado e o capitalismo são absolutamente incapazes de solucionar esse grave problema. Enfim, as causas se enfeixam na que mais resiste.

A verdade que não é possível calar em face de tais barbaridades que causam a fome e sua mortalidade, mortalidade de milhões de pessoas no mundo. Felizmente há pesquisas sérias que demonstram a real situação atual.

Há denúncias que expõem os crimes praticados por grupos poderosos, os verdadeiros responsáveis por essa situação. É preciso que o povo organizado amplie as organizações e estenda os braços da luta para mudar a base desse problema.

Abaixo posto um artigo que grita. O texto de José Coutinho Júnior é uma reportagem que denuncia os crimes dos especuladores e a necessidade de julgá-los pelos males que fazem à humanidade.

“O sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação das Nações Unidas (ONU), denunciou que a fome é um dos principais problemas da humanidade”, escreve Coutinho Júnior.


Orvandil Moreira Barbosa

Fonte Jornal Inverta
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