quarta-feira, 8 de junho de 2016

IV Frota de Intervenção dos EUA: um alerta para toda a AL

Matéria publicada no Jornal Inverta nº 424, onde denuncia o real carácter desse movimento militar.  

Após 58 anos, a Armada estadunidense reativará a Quarta Frota, encarregada de patrulhar os mares latino-americanos. Ela terá sob sua responsabilidade mais de 30 países do continente, cobrindo 15,6 milhões de milhas quadradas nas águas adjacentes das Américas Central e do Sul, o mar Caribe e suas 12 ilhas, México e os territórios europeus neste lado do Atlântico. O imperialismo ianque tem hoje dez porta-aviões do tipo Nimitz, com capacidade de deslocamento de 101 mil a 104 mil toneladas de carga, incluindo 90 aviões de guerra e dois reatores nucleares. O último deles leva o nome de George H.W. Bush. Os Estados Unidos já contam com as frotas II, III, V, VI e VII dispersadas no Atlântico Ocidental, o Pacífico Oriental, o Oriente Médio, o Mediterrâneo e Atlântico Oriental, e o Pacífico Ocidental. Faltava apenas a IV Frota para custodiar todos os mares do planeta.

A frota foi criada em 1943 para lutar contra os submarinos nazistas e proteger a navegação durante a Segunda Guerra Mundial e foi desativada em 1950 por ser considerada desnecessária. A partir de 1° de julho deste ano, as forças navais estadunidenses terão um comando de alto nível especificamente dedicado a supervisionar as tarefas de suas unidades na América Latina e no Caribe. Porém, não será necessário esperarmos até julho para o início das operações, já que em 5 de maio foram realizados exercícios militares conjuntos em águas argentinas, que perfilam a iniciativa.

Terá como base a cidade de Mayport, no estado da Flórida, e responderá ao Comando Sul dos EUA, localizado na cidade de Miami, e que dirige todas as forças militares desse país na América Latina.

A reativação desta base ocorre poucas semanas depois da invasão da Colômbia ao território equatoriano com armas e tecnologia dos EUA, o que causou um profundo repúdio entre os líderes latino-americanos, expressado na reunião do Grupo do Rio, demonstrando o enfraquecimento do poder estadunidense na região.

Qual é o objetivo declarado da Quarta Frota? "Combater o terrorismo e as atividades ilícitas como o narcotráfico", segundo contra-almirante Joseph Kernan, que estará no comando da mesma.

A decisão do Pentágono produz-se num momento de particular tensão na América do Sul e de extrema volatilidade nos mercados de commodities. Não se deve esquecer que um terço das importações de petróleo aos Estados Unidos provém da Venezuela, México e Equador, o que transforma a região num espaço estratégico para manter a supremacia econômica e militar do principal país do planeta. Em segundo lugar, o império vem acumulando uma série de derrotas na região: o triunfo de governos antiimperialistas em todo o continente, a vitória eleitoral de Fernando Lugo no Paraguai, a iminente criação do Conselho Sul-americano de Defesa pelo Brasil e Venezuela, a consolidação do processo liderado por Rafael Correa no Equador, que supõe reveses para as multinacionais petroleiras e mineiras, além do anúncio do fim do convênio para a utilização da Base de Manta pelos estadunidenses em 2009, o apoio de toda a comunidade internacional ao governo de Evo Morales e contra os referendos autonômicos realizados pela oligarquia local, entre os mais relevantes. Ante este panorama, no qual a instabilidade tende a se intensificar diante da feroz especulação do capital que está provocando aumentos nos preços dos alimentos e gerando revoltas como a que ocorreu no Haiti recentemente, a reativação da Quarta Frota representa uma aposta de um tipo de intervencionismo de caráter aeronaval e não terrestre. Os Estados Unidos, devido à intervenção no Iraque e no Afeganistão, não dispõem de forças terrestres para realizar um novo cenário de operações. Daí a aposta por se fortalecer através de meios aéreos e navais para controlar uma região que cada vez lhe resulta menos amável. "É um recado à Venezuela e ao resto da região", afirma o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro em um artigo recente, titulado "Resposta hemisférica ianque: a IV Frota de Intervenção". Neste artigo, Fidel chama a atenção para o fato de que "nenhum país no mundo possui um navio similar a este, todos equipados com sofisticadas armas nucleares, que podem se aproximar a poucas milhas de qualquer de nossos países. O próximo porta-aviões, o USS Gerald Ford, será de novo tipo: tecnologia Stealth invisível aos radares e armas eletromagnéticas. A principal construtora de um tipo ou outro é a Northrop Grumman, cujo atual presidente também faz parte da Junta Diretiva da petroleira dos Estados Unidos Chevron-Texaco. O custo do último Nimitz foi de seis bilhões de dólares, sem incluir aviões, projéteis e gastos de operação, que podem aumentar também para bilhões. Parece um conto de ficção científica. Com esse dinheiro poderiam ter salvado a vida de milhões de crianças".

Fica-se cada vez mais evidente a necessidade de nos opormos e denunciarmos esse tipo de movimento, que compromete a segurança e a soberania de nossos países. Principalmente quando notamos que a mídia burguesa, sempre servil ao império e aos seus interesses, não deu qualquer destaque à notícia. Faz-se cada vez mais necessária a integração e a solidariedade entre os nossos povos para enfrentarmos essa situação, já que como bem lembrou o Comandante Fidel Castro "os porta-aviões e as bombas nucleares com os quais ameaçam nossos países servem para semear o terror e a morte, mas não para combater o terrorismo e as atividades ilícitas. Deveriam servir também para envergonhar aos cúmplices do império e multiplicar a solidariedade entre os povos".

Tânia Castro

Fonte Jornal Inverta
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