sábado, 25 de junho de 2016

O Sistema de Ensino Neoliberal

A educação brasileira, de caráter público e obrigatório, já traz em si uma contradição, por ser pública não é gratuita, é paga através dos impostos cobrados diretamente sobre os trabalhadores, cria-se a falsa ideia de idade escolar impondo aos pais e responsáveis a obrigação de submeter sua prole à instituição educacional, independente das condições das mesmas, tanto físicas quanto profissionais. A contradição se desenvolve porque os adultos que procuram as escolas, não as procuram por serem públicas ou obrigatórias, porém, por necessidade de sua própria vida, que vai precisar em determinada ocasião de educação instrucional. Os impostos são cobrados a todos e livre da idade escolar ele, o trabalhador, se qualificará na mesma instituição de crianças de 4 a 14 anos. A balela burguesa começa aí. 

“A fraseologia burguesa sobre a família e a educação, sobre os afetuosos vínculos entre a criança e os pais, torna-se tanto mais repugnante quanto mais a grande indústria rompe todos os laços familiares dos proletários e transforma suas crianças em simples instrumento de trabalho.” (Marx e Engels - Manifesto do Partido Comunista).

  São, portanto, o darwinismo social que no mercado liberal capitalista ditam as normas para a competição, onde os fortes sobrevivem à custa da escravidão ou da morte dos mais fracos. Na medida em que a lei de acumulação capitalista se desenvolve criando um vasto exército industrial de reserva, produzindo um pequeno grupo que expropria as riquezas da sociedade, a instituição escolar reflete a situação social e iludem-se aqueles que acreditam na mudança social por intermédio do conhecimento e da cultura, sem nenhuma prática revolucionária.

A estes se dá o nome de reformistas e revisionistas, quando sabemos que toda a ideologia atual por eles utilizada nas escolas como “cidadania”, “democracia universal”, “educação para o trabalho”, “gerência da qualidade total do ensino”, etc.

“O desenvolvimento de uma concepção de mundo que se contraponha ao neoliberalismo, na escola, põe-se com maior importância ainda quando se sabe que os jovens estão diuturnamente se alimentando dessa ideologia nos demais espaços que eles frequentam. Mas, também na escola, a influência sobre eles não se restringe à sala de aula, e mesmo aí, não se limita ao que o professor diz. Isso leva à consideração da segunda forma pela qual a ideologia de mercado que perpassa a gestão da qualidade total, envolve os alunos, ou seja, pela força material das práticas escolares em geral.”

“... se pode esperar contribuir para desarticular a ideologia do mercado – política econômica neoliberal - incrustada no dia-a-dia da sociedade e, em partícula, no sistema de ensino.  A superação a ser empreendida a esse respeito guarda paralelo com a destruição que precisa ser feita do fetichismo da mercadoria no mundo das relações sociais.” (V. Henrique Paro – 1986).

Portanto, o modo de produção capitalista se desenvolveu e criando uma infra-estrutura econômica e erguendo-se uma superestrutura jurídica-político-ideológica na qual as instituições, entre elas o Estado e, inclusive, o sistema de ensino público e obrigatório; desta forma a liberdade e a justiça nas sociedades contemporâneas, hegemonizadas pelo imperialismo, só pode ocorrer com a derrubada do Estado capitalista que é o único responsável pela grande massa de miseráveis, esfomeados, prostitutas, assim como todas as mazelas e torturas do trabalho, como também o número imenso de analfabetos e analfabetos funcionais que enchem as escolas neoliberais imperialistas gerando toda sorte de atos de barbárie social.

Ana Maria de Moura

Fonte Jornal Inverta
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário