quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O segundo turno em Fortaleza: nossa indicação de voto

O resultado do primeiro turno em Fortaleza, entre Roberto Cláudio (PDT) com 40,81% e Capitão Wagner (PR) com 31,15%, foi uma síntese do que ocorreu em todo o Estado neste pleito. No restante do Ceará, ficou evidente que o grupo liderado por Ciro e Cid Ferreira Gomes cristalizou sua hegemonia política na região elegendo a grande maioria de prefeitos. Por outro lado, observou-se a reação de velhos caudilhos cearenses que agora estão se unindo em torno de candidaturas com o propósito de recuperar o espaço que antes gozavam na política.  É diante desse cenário que o segundo turno em Fortaleza também reflete essa dicotomia: o candidato Roberto Cláudio, apoiado pelos Ferreira Gomes, e Capitão Wagner, apoiado por nomes como Tasso Jereissati, Roberto Pessoa, Eunício Oliveira e Genecias Noronha. 

Outro fato para se observar é a violência empregada durante esse período eleitoral não somente no Ceará, como em todo o Brasil. Ora, no mínimo a violência é reflexo do aprofundamento da promiscuidade entre a política e o banditismo, e este pleito constitui um dos mais violentos desde a redemocratização. No Brasil, mais de 30 candidatos em 11 estados foram assassinados. Só no Ceará foram três casos. Não é a toa que esse fato acontece na penumbra do golpe neoliberal e a instauração do Estado policialesco no Brasil. No dia da eleição em Fortaleza, o incidente em que o Secretario Estadual da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda e sua família foram agredidos fisicamente por Policiais Militares é um grave indício do que está por vir. 

O candidato Capitão Wagner (PR) é militar reformado, e ainda era desconhecido do grande público quando, na suplência de Deputado Estadual, assumiu o mandato e poucos meses depois, no início de 2012, liderou a paralisação das atividades da PM com métodos questionáveis e a capital do Ceará passou dias de terror. Em 2012 foi eleito vereador de Fortaleza e a deputado estadual em 2014. É uma candidatura com discurso de novo, mas sua coligação catalisa nomes que representam o que há de mais atrasado na política cearense, que perderam espaço na ultima década e que agora vêem no Capitão Wagner a oportunidade de retomar a influencia na capital do Estado.  

Roberto Cláudio (PDT) disputa a reeleição em Fortaleza e tem a maior coligação do pleito municipal de Fortaleza, com uma diversidade de 18 partidos - o que só acentua as contradições dentro da própria candidatura. Nestas eleições, sua coligação elegeu a grande maioria dos vereadores: dos 43 vereadores, elegeu 30 vereadores (nenhum do DEM, do golpista Moroni Torgan). Entretanto, Roberto Cláudio é apoiado pelos Ferreira Gomes, que assumiram posição de protagonismo durante o curso do golpe neoliberal.  O ex-governador Cid Gomes, no inicio de 2015, denunciou os golpistas da Câmara Federal: “prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque”, apontando para o chefe da camarilha, Eduardo Cunha. 

Portanto, há uma questão fundamental entre Capitão Wagner e Roberto Cláudio que faz toda diferença: enquanto Roberto Cláudio se caracteriza por uma contradição abissal entre setores em sua própria coligação, entre os que lutam em favor da democracia e os inimigos do povo, o que contrabalanceia sua coligação e neutraliza golpistas no seu interior. Por outro lado, caso o candidato Capitão Wagner se eleja, a quinta capital do país se constituirá em novo eixo de apoio em favor da conjuntura de desmonte das políticas sociais e avanço do neoliberalismo, em pleno vapor a nível federal. 

Dessa forma, compreender e apontar uma direção para o segundo turno de uma cidade como Fortaleza não é um exercício de intuição ou sectarismos. A virulência do golpe neoliberal de 31 de agosto gerou uma conjuntura nefasta do plano nacional para o regional; nossa indicação é no sentido de acentuar contradições do regional para o nacional. Nesse sentido, o Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML-Br) e o Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo (CLCN-CE) se dirigem a classe trabalhadora da cidade de Fortaleza para se posicionar diante do segundo turno do processo eleitoral de 2016 em Fortaleza, indicando voto em Roberto Cláudio 12


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