sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Venezuela, protagonista da mudança geopolítica

Caracas (Prensa Latina) O embaixador da Venezuela ante as Nações Unidas (ONU) em Genebra, Jorge Valero, tem décadas de experiência na política internacional como estudioso e testemunha dos fatos mais transcendentais dos últimos tempos.

Em entrevista exclusiva concedida à Prensa Latina, o diplomata fez suas considerações a respeito do protagonismo que ganhou a nação bolivariana aos olhos da comunidade internacional apesar das pressões e sabotagens orquestradas a partir dos Estados Unidos.

Destacou que o país ocupa um lugar de vanguarda no mundo, e sua liderança se demonstra das mais diversas formas, no entanto, o caso mais recente é sua investidura na presidência do Movimento de Países Não Alinhados (Mnoal) e a realização da Cimeira desse grupo em ilha Margarita, do estado Nueva Esparta.

Mnoal é o foro de maior quórum após as Nações Unidas e a liderança da Venezuela será continuadora do trabalho de Cuba, Egito e Irã, líderes anteriores do bloco, sustentou.

O diplomata assegurou que a representação nacional nesse foro continuará erguendo as bandeiras da independência e da autodeterminação, e buscando que haja um equilíbrio mundial baseado no respeito à autodeterminação e no diálogo entre as nações.

RECONHECIMENTO MUNDIAL 

Qualificou como um rotundo êxito a apresentação do segundo Exame Periódico Universal da Venezuela ante a ONU em Genebra, Suíça, em 1 de novembro.

Os 193 países membros têm que passar por esse escrutínio e mediante o qual se avalia o estado dos Direitos Humanos, sobre as bases do Tratado de Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

O embaixador comentou que além destes tipos de direitos, contemplados nos textos anteriormente mencionados, os países emergentes têm buscado incluir o desenvolvimento entre essas categorias, até agora infrutiferamente pela negativa das nações desenvolvidas que se negam a reconhecer esta condição como um direito.

Opinou que a Venezuela teve uma defesa exitosa, a cargo da chanceler Delcy Rodríguez, e que nesse foro a nação foi eximida porque durante sua conferência participaram 103 países, o que revela o interesse e a relevância que suscita a Revolução Bolivariana e os países em desenvolvimento veem no governo desta nação um exemplo de exercício e desfrute dos direitos humanos.

Denunciou que alguns países desenvolvidos que analisam a situação do país tentam desconhecer os avanços em matéria social alcançados nos últimos 17 anos de Revolução Bolivariana.

Valero assinalou que no Exame, além da significativa participação de observadores, houve um elevado volume de recomendações: 274, de 203 países, os quais em sua maioria reconheceram os avanços políticos, civis, em matéria social e cultural.

A maioria das recomendações eram para que o país continuasse fomentando as políticas que atualmente o executivo impulsiona, sublinhou.

Com essa avaliação em Genebra, a comunidade internacional ratificou que Venezuela é um Estado de direito que avança na justiça social e é modelo quanto à redução da pobreza extrema e a desigualdade, reconhecido por diversos organismos internacionais.

No país, a pobreza extrema baixou de 10,6% da população para 4,4% desde 1999.

A nação também foi das primeiras que cumpriu com os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio traçados pela ONU e recentemente aprovou um orçamento no qual o investimento social supera 71,4%.

A Venezuela é a nação que mais moradias constrói no mundo, com 1.200 milhão para as famílias necessitadas, com o qual o Estado tem favorecido a aproximadamente 5 milhões de pessoas que estavam em situação de pobreza e agora estão começando se incorporar à classe média.

DIÁLOGO COM A OPOSIÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL 

Venezuela tem dado significativos passos de avanços na resolução de conflitos políticos.

Em primeiro lugar, ressalta a aproximação inicial (pelo menos de maneira oficial) entre o executivo bolivariano e a oposição para começar as negociações pela paz, e por outra parte, o anúncio do presidente Nicolás Maduro de que em breve se reunirá com o secretário de Estado estadunidense, John Kerry.

Neste sentido, o embaixador Valero recordou que o diálogo é uma política constante do governo sul-americano, impulsionada desde a época do Comandante Hugo Chávez, inclusive nos momentos mais difíceis de seu mandato.

Afirmou isto em referência ao golpe de Estado de abril de 2002 e a posterior greve petroleira que ocasionou uma forte contração econômica e significou a perda do 10% do Produto Interno Bruto do país.

Reconheceu que Maduro deu continuidade a essa forma de gestão política e que na comunidade internacional há um amplo apoio e reconhecimento ao intercâmbio com a oposição promovido continuamente pelo chefe de Estado nos últimos meses e que atualmente está na fase da construção da agenda.

'Há duas maneiras de resolver os problemas políticos, pela violência ou pelo diálogo, este último é o caminho para a estabilidade nacional e oxalá possa ter êxito', sentenciou.

Advertiu que há setores de direita que continuam apostando na violência, na sabotagem econômica para criar carência na população e em alternativas golpistas para acabar com a Revolução Bolivariana.

Neste sentido, chamou esses setores políticos a se somar ao futuro consenso e agir com respeito à Constituição.

Sobre as relações Venezuela-Estados Unidos assinalou que o governo bolivariano sempre tem abrigado a esperança de desenvolver um diálogo político construtivo com o país do norte.

A respeito da próxima entrevista entre o presidente Nicolás Maduro e o secretário de Estado John Kerry, ressaltou que a política do executivo socialista sempre é conversar com base no respeito à soberania.

'Venezuela não é súdito, marionete ou subtenente de ninguém. Temos recuperado a autodeterminação e essa condição é irrenunciável e faz parte de nossa substância e nossa existência como nação', sublinhou.

Betty Hernández Quintana 

Fonte: Prensa Latina

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário