domingo, 29 de janeiro de 2017

Depois da sublime obra de Martí, um experiente continuador

José Martí, a partir de sua grandeza de pensamento político, intelectual, humanitário; seu fervor revolucionário, altruísta e anti-imperialista, dedicou sua vida a lutar pela independência de Cuba, sem estar alheio aos acontecimentos em outras regiões do mundo.

Povos sofridos pelos efeitos da exploração colonialista e submetidos à iniquidade pelas potências ocidentais não passaram desapercebidos ao Mestre e assim expressou muito claramente em muitas das publicações da época, qual imagem esculpida no lodo da amargura.

Características dessa dominação nos povos asiáticos e africanos revelaram-se a partir de alguns textos de Martí ante um sagaz olhar que não escapou do que, provavelmente em sua época, constituía o drama maior do continente africano: o colonialismo.

Apesar de não constituir o tema essencial de sua vasta obra, José Martí abordou em seu discurso a situação do negro (escravizado) e a africanidade.

Em suas crônicas europeias escritas entre 1881 e 1882 para o diário La Opinión Nacional, de Caracas, o apóstolo expôs três assuntos da política daquele continente: a agressão e ocupação francesa da Tunísia, o movimento nacionalista no Egito contra a Turquia e a presença britânica.

A rebeldia sudanesa contra a dominação dessa última potência também foi interpretada dignamente em suas colaborações jornalísticas e - sem ser um especialista em similares temas - examinou e tomou partido pela independência daqueles povos frente à opressão e o despotismo.

Assim, o maior gênio político e literário do século XIX cubano explicou a respeito das origens da rebelião egípcia contra o jedive, um título criado em 1867 pelo sultão otomano Abdülaziz I para o então vice-rei do Egito, Ismail Pasha, entre os anos 1863 e 1879.

Em seus escritos citou fontes egípcias ao afirmar: 'Todas as nossas rendas são absorvidas pelos estrangeiros. Todos os nossos comerciantes, todos os nossos altos dignatários de Estado são estrangeiros. Eles são os senhores, e nós suas bestas de carga. Eles vivem felizes, e nós vivemos na miséria e degradados. A eles pagam bem, e a nós mal'.

As ambições da Espanha monárquica sobre o Marrocos também foram focalizadas pelo grande independentista, e em 1881, depois de uma ação bélica, Martí analisou. 'Uma monarquia decadente precisava enfeitar-se com o ouropel da guerra. Espanha fazia a guerra na África: lhe repugnava que Marrocos tivesse insultado sua bandeira', ao se referir à conquista da cidade de Melilla em 1497, que passou a depender do senhorio territorial dos duques de Medina Sidonia, e a partir de 1556, da Coroa espanhola.

O autor do conhecido ensaio Nuestra América concedeu uma valiosa importância aos temas africanos, razão pela qual na revista La Edad de Oro acariciou de maneira majestosa com sua caneta o texto 'Conto de Elefantes'.

No exemplar, Martí escreveu: 'Da África contam agora muitas coisas estranhas, porque anda por lá a gente europeia descobrindo o país, e os povos da Europa querem mandar naquela rica terra, onde com o calor do sol crescem plantas essenciais e alimento, e outras que dão fibras de fazer teias, e há ouro e diamantes, e elefantes que são uma riqueza...' 

Com tão sutil clareza o Herói Nacional cubano descreveu o caminhar europeu por aquelas terras e seus evidentes ares de conquista, após esses impérios perseguirem a dominação política e econômica dessa região.

Foram essas algumas considerações a respeito da percepção martiana e o acontecer imperante no continente africano de fim do milênio, em meio ao qual soube se orientar entre a verborragia publicitária e seu espírito, criador de uma profunda obra em prol da causa comum dos oprimidos de todo o mundo.

Assim, também aprofundou nosso guia. Nosso maior gênio político, estrategista e estadista do século XX em Cuba, Fidel Castro, que diante dos históricos conflitos dessa região refletiu com seu hábil fluxo de ideias sobre as lutas contra a opressão racial.

Esses conflitos da África tiveram em Fidel a máxima expressão do internacionalismo como defensor dos direitos do homem, em todos os seus sentidos.

Como líder da Revolução cubana estendeu sua ajuda ao continente oprimido durante décadas pelo colonialismo e pelo regime racista, como de igual forma refletiu diante das novas tendências neoliberais e pós-coloniais.

Daimarelys Perez Martinez

Fonte: Prensa Latina
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