sábado, 21 de janeiro de 2017

O mérito indiscutível de uma geração

O que significou para um país pequeno como Cuba ter realizado uma memorável campanha de alfabetização em apenas um ano? Que mudanças trouxe para a vida de milhões de iletrados? Qual teria sido o destino do país, caso não ter frutificado tal empenho?

Ninguém deve pôr em dúvida que sem a então nascente Revolução teria sido impossível empreender uma façanha de tais proporções. A alfabetização não somente ensinou a ler e a escrever àqueles que não sabiam. Também serviu para dignificar o nobre desempenho do magistério e para transformar desde os alicerces a vida da nação, ao garantir a todos o acesso à educação.

Em 26 de setembro de 1960, em um comparecimento nas Nações Unidas, Fidel anunciou que Cuba eliminaria o analfabetismo em um ano. Em 22 de dezembro de 1961, aquela promessa já era uma realidade: a Ilha foi declarada Território Livre de Analfabetismo.

Crianças, jovens e adultos de todos os setores da sociedade fizeram parte do nutrido grupo de alfabetizadores que chegaram até os lugares mais remotos da geografia nacional.

A alfabetização já se percebia como uma necessidade no programa do Moncada e após o triunfo da Revolução (em 1º de janeiro de 1959) a ideia concebida por Fidel finalmente se pôs em andamento, em 1961. Naquele ano, o ano letivo concluiu em abril para que os estudantes pudessem participar.

Alfabetizadores populares, membros das brigadas Conrado Benítez (em homenagem ao jovem assassinado por agentes contrarrevolucionários, em janeiro de 1961), professores voluntários, membros das brigadas “Pátria ou Morte”, tornaram suas a cartilha, o manual e o lampião. Junto aos professores que trabalharam na capacitação dos alfabetizadores, mais de 250 mil docentes e estudantes participaram da campanha.

Também nesta façanha da Revolução cubana existem mártires: dez jovens professores foram assassinados por gangues de revoltados. O mais conhecido deles foi Manuel Ascunce Domenech.

Cuba tem compartilhado com a Venezuela, Bolívia, Nicarágua e povos de outras latitudes a alegria de se converterem em territórios livres de analfabetismo, graças à colaboração de especialistas da Ilha.

Aos mais de 700 mil cubanos que aprenderam a ler e a escrever, sobretudo para aqueles que chegaram ao conhecimento sendo adultos, a alfabetização lhes deu a possibilidade de pegar as rédeas de seu destino.

Muitos dos alfabetizadores e alfabetizados são hoje profissionais, intelectuais, cientistas, técnicos, operários graças à oportunidade que lhe ofereceu a Revolução. Não poucos deles assumiram para sempre o trabalho do professor e entregaram a esta bela profissão todo seu empenho e energia.

Como em toda a luta revolucionária, o papel de protagonistas dos jovens não se fez esperar em 1961, ano fundamental na história nacional, não só pela declaração de Cuba como Território Livre de Analfabetismo, mas também pela vitória perante a invasão mercenária por Playa Girón, momento no qual o imperialismo sofreu sua primeira derrota militar na América Latina.

Mais além do mérito educacional que representou ter eliminado o flagelo do analfabetismo, atingiu-se o caráter universal e gratuito da educação, uma das muitas formas de justiça social defendidas pela Revolução.

Impossível separar a campanha de alfabetização da figura de Fidel, já não porque foi ele quem a concebeu, organizou e dirigiu, senão porque também a ele se devem as muitas possibilidades que se abriram para os jovens de então, aos quais só pediu uma coisa: estudar.

Os “jovens têm o mundo e o porvir em suas mãos” — como declarou Fidel naquele inesquecível discurso de 22 de dezembro de 1961, na Praça da Revolução, em Havana — e foram eles os que, ainda a custa de suas próprias vidas, foram ensinar.

A campanha de alfabetização mudou concepções e realidades, marcou as pautas pelas quais se tem norteado a educação em Cuba, todos estes anos, sendo, ao mesmo tempo, a experiência que tornou possível, décadas mais tarde, elaborar os métodos ‘Sim, eu posso’ e ‘Sim, eu posso continuar’, que têm permitido alfabetizar milhões de pessoas no mundo todo.

Também a ela se deve o valioso capital humano que fez possível a obra da Revolução e os altos níveis educacionais que a Ilha maior das Antilhas atingiu. A geração que tornou realidade a alfabetização pode sentir-se orgulhosa de ter escrito uma das páginas mais altruístas da história cubana.

Yenia Silva Correa

Fonte: Granma

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