sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Saber, conhecimento e currículo: questões de classe

A busca pela sobrevivência levou o homem a viver em sociedade e assim começou sua relação com o grupo e também os problemas destas relações.

Sua história surge em decorrência da sua vivência com a sociedade. Com sua evolução, o homem transformou a natureza através do trabalho e também passou a ser escravo dele.

As diferenças surgiram em sociedades que precisavam se organizar para garantir sua sobrevivência. E estas sociedades se fundaram em bases injustas.

O saber, a cultura e o excedente da produção ficaram e ficam para a classe dominante, que de forma escamoteada se utiliza destes, como artifícios para negar às classes menos favorecidas o caminho da sua emancipação e seu desenvolvimento.

A criança, considerada parte irrelevante deste processo, somente no século XVIII é que passa a ser integrada ao contexto do conhecimento.

A escola, sempre tendo papel de simples repassador de conhecimento acadêmico não se importa se este ensino apenas será a porta de entrada para a sua exclusão social.

Para a classe dominante, o proletário fracassou por sua própria culpa, por falta de vontade ou de sorte. A intenção da inclusão das classes dominadas na escola se dá apenas em decorrência dos futuros empregados saberem ler as instruções de suas máquinas.

E o problema de um currículo voltado para satisfazer os interesses das classes dominantes não para na escola. A universidade também é palco deste alijamento do conhecimento para as classes dominadas.

Com tempo escasso para aplicação dos currículos, colocam-se milhares de alunos inaptos num selvagem mercado de trabalho.

Com a política do ‘mero ensinar’ e ‘mero aprender’ chegamos ao absurdo de formarmos professores sem o profundo conhecimento do que ele mesmo ensina.

Muitas vezes é chamado a atuar em outro campo como se ele fosse detentor de estrondosa versatilidade, caindo no erro de sempre, por acreditar que ensinar é somente repassar o conhecimento, e não emancipar o educando.

Na maioria das vezes aceita determinadas tarefas (mesmo sabendo que não irá realizar um bom trabalho) apenas por uma questão de sobrevivência.

Formam-se sem nem mesmo entenderem o que leram, sendo repassadores da cultura ‘quem não cola, não sai da escola’, não sabem nem mesmo redigirem um texto.

A escola tem o papel fundamental de ser a transformadora desta cultura, será nela que o educando receberá, desde as series iniciais, toda a estrutura para conseguir reproduzir ao longo de sua trajetória o que realmente é importante para a sua formação.

Os professores com uma formação engajada deverão incentivar os seus alunos a despertar o verdadeiro senso crítico, ensinando que quando aprendemos em grupo podemos auxiliar uns aos outros, que planejando somos capazes de atender às necessidades do educando, ensinando que o respeito à cultura nos mostra que não somos diferentes uns dos outros, mas que fazemos parte da mesma classe de oprimidos.

Ensinar que ser cidadão não é apenas votar de dois em dois anos, que ser cidadão é também ser solidário e buscar sua emancipação.

Amazonia Ramos

Fonte: Jornal Inverta
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