sábado, 11 de fevereiro de 2017

Reflexões sobre a imprensa

A imprensa, essa que muitas vezes foi chamada de “quarto poder”, mostrou mais uma vez a força que possuía e ainda possui. Observando a História e buscando dialogar com o presente, observamos o quanto sua capacidade de enfrentamento com grupos específicos se ampliou, dependendo hoje bem menos dos favores governamentais, pois se na década de 1930, quando tem seu processo de “aburguesamento”, a imprensa opositora sempre poderia ter retirado seu subsídio de papel ou mesmo sofrer um empastelamento, essa realidade atualmente é bem distante.

A força que os grandes veículos de imprensa demonstraram nos serve de alerta quando olhamos a realidade brasileira no que diz respeito à imprensa, e vemos como algumas dezenas de famílias controlam praticamente toda a circulação de informação no território nacional. O caráter monopolista do capitalismo, como demonstrou Lenin, levou à uma acumulação de capitais nas mãos dessas famílias detentoras de grandes empresas jornalísticas e lhes deu a possibilidade de adquirir mais e mais os pequenos jornais e revistas, até se tornarem um conglomerado de imprensa.

E o fato da internet surgir como ferramenta de expansão da informação não garante que ela também não seja alvo de especulação e de monopolização, muito menos que seja levada a todos os rincões do Brasil, como demonstraram trabalhos teóricos e empíricos. E mesmo que essa fosse uma realidade do país, também nada garante que não houvesse manipulação nas informações a serem recebidas, pois numa sociedade informatizada como a nossa, o capital se apropria mesmo de pensamentos e teorias: “Ali, na consciência de cada um, reside hoje, especialmente, o negócio capitalista”.

Assim sendo, tratamos com especial atenção a comparação entre as notícias, pois nos dão pistas de como a imprensa se comporta, principalmente em momentos de crise política aguda, como foram os casos do fim de 1937, maio de 1938, abril de 1964, entre outros. Perceber como os diferentes jornais se comportam diante do mesmo fato é compreender que existe um jogo que é jogado fora das páginas impressas, por trás de escolhas e omissões em cada periódico.

José Lino

Fonte: Jornal Inverta
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