segunda-feira, 13 de março de 2017

Camilo Cienfuegos, rebelde nas montanhas e planícies de Cuba

A trajetória de Camilo Cienfuegos se destaca como das mais importantes para a Revolução cubana, sua coragem na luta e lealdade a Fidel Castro é recordada hoje ao se cumprir 85 anos de seu nascimento.

Segundo os historiadores, a Guerra Civil Espanhola marcou a consciência do jovem Camilo Cienfuegos, mas o assalto ao Quartel Moncada por Fidel Castro e um grupo de jovens, o Movimento 26 de julho de 1953, fixou nele - que então estava nos Estados Unidos - a vontade expressa de se unir a eles na luta pela independência definitiva de sua pátria.

Não foi fácil para o célebre patriota, nascido no atual município central 10 de outubro, chegar ao líder guerrilheiro cubano, que aceita inclui-lo entre os 82 expedicionários do Iate Granma, graças à insistência, entre outros, de seu irmão Raúl Castro.

Desde o início da luta, 'Camilo' se destaca por seu valor, ousadia e coragem, já no ataque ao Quartel de La Plata, no combate de Ribeirão do inferno ou no ataque ao Quartel de Uvero.

Nas palavras de um de seus companheiros de luta já falecido, Orestes Guerra, Camilo era um homem afável, extrovertido, mas com uma coragem indescritível que manifestou em inumeráveis ocasiões.

'Camilo foi um homem em todos os sentidos. Era sociável, brincalhão como todos os cubanos, mas muito valente, sempre quis as ações mais difíceis e arriscadas, é por isso que ganhou a confiança de Fidel e o respeito de toda a tropa', ressaltou Guerra no documentário 'Simplesmente Camilo', de Mundo Latino.

Na sua opinião, a humilde origem social de Camilo, alfaiate de ofício, seu temperamento jovial e sorriso franco, o erigiram como um dos mais carismáticos e confiáveis dirigentes do Exército Rebelde.

Exemplo disso foi expresso no artigo 'Camilo Cienfuegos: O homem dos mil episódios', do falecido jornalista cubano Guillermo Cabrera.

No mesmo, o ex-diretor do Instituto Internacional de Jornalismo José Martí conta vários episódios da ação do lendário combatente na Serra Maestra, em Yagüajay, ou na própria capital do país.

Cabrera recorda como um dia, em plena montanha do oriente cubano, chega até aos rebeldes Rafael Verdecía, camponês do local, ao encontro de Camilo, que ao vê-lo com seu chapéu, de brincadeira, o tirou e provou para se ver em um espelhinho e lhe disse dando uma piscadela antes aos seus companheiros: 

'Ouça garoto, em você esse chapéu não fica tão bem como em mim, ponha este boné', o camponês surpreso lhe respondeu: 'está bem, o levarei para casa' e assim chegou a Camilo esse traje que lhe distinguiu sempre.

Além disso, o também guerrilheiro e jornalista William Gálvez narra que uma vez o legendário Comandante visitou o posto médico do Exército Rebelde na localidade de Hombrito e comentou sua preocupação de extrair um dente com o também legendário herói e médico argentino-cubano Ernesto Che Guevara.

'Como é possível - lhe disse William - se Che é médico e seguramente não vai doer?, ao que Camilo respondeu: 'Não, não é porque me doa, mas porque esse 'mata-sãos' certamente pode me tirar um bom e não o ruim'.

Assim era Camilo, atrevido, valente, o único capaz de caçoar com o Che, reconhecido por sua seriedade e rude caráter, ainda que com ele abrisse uma exceção, talvez, como posteriormente confessou, porque um belo dia no meio da guerra perdeu sua mochila com sua comida e foi Camilo quem compartilhou com ele a única lata de leite que tinha.

Reinaldo Wossaert Silva

FONTE: Prensa Latina
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário