sexta-feira, 3 de março de 2017

Gregório Bezerra: Um homem feito de ferro e flor

Gregório Bezerra, pernambucano de Panelas, nasceu junto com o século XX, no dia 13 de março de 1900, para uma vida que logo se depara com a aspereza da seca e com a fome, que assola a região nordestina em 1905.

Em 1910, transfere-se para o Recife, como doméstico de uma família latifundiária. No ano de 1917, já atuando como operário da construção civil, começa a participar dos movimentos pela jornada de oito horas de trabalho, por aumentos de salários e melhores condições de vida para os trabalhadores. Preso, processado, cumpre 5 dos 7 anos de prisão, a que foi condenado.

Alista-se no Exército (1922), alfabetiza-se (1925) e é promovido a sargento-instrutor de Infantaria, em 1927. Ingressa no Partido Comunista (1930). Em 1935 participa do movimento revolucionário da Aliança Nacional Libertadora, contra o fascismo e a guerra, sendo preso e condenado a 28 anos de prisão.

Em 1945, anistiado, é eleito deputado federal constituinte, pelo PCB de Pernambuco. Cassado o seu mandato, em janeiro de 1948, é sequestrado no Rio de Janeiro, sob a acusação de ter incendiado o 15° RI, em João Pessoa (PB). Após 2 anos de prisão, é absolvido e libertado.

Na clandestinidade, atua em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Bahia e também em Pernambuco, organizando associações, sindicatos rurais e conselhos de partidários da paz, nas fazendas e concentrações camponesas.

De volta a Pernambuco, participa da frente do Recife e ajuda a eleger Pelópidas da Silveira, Prefeito de Recife; Cid Sampaio, Governador do Estado; e Miguel Arraes, Prefeito do Recife e Governador do Estado.

Sua ação junto ao movimento camponês é incansável, sendo largamente responsável pelo sucesso de organização e luta do trabalhador do campo em Pernambuco.

O golpe militar de 1964 o encontra no campo. Preso, barbaramente torturado, é conduzido, amarrado pelo pescoço, pelas ruas do bairro de Casa Forte, em Recife, por militares da unidade do exército, existente naquela área. Processado, é condenado a 19 anos de prisão. Banido do País (em setembro de 1969) na troca de prisioneiros políticos pelo sequestro do embaixador norte-americano. Moscou foi seu destino final, com escalas no México e em Cuba.

Em 1979 regressa ao Brasil como anistiado político, falecendo em 21 de outubro de 1983, em São Paulo.

Associação Pernambucana de Anistiados Políticos - APAP

Fonte: Jornal Inverta
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