terça-feira, 7 de março de 2017

Guerra cibernética: muito além da ficção

No contexto dos conflitos armados, presentes e futuros, tem aparecido um novo teatro de operações: o ciberespaço. Com esse termo é identificado no ambiente virtual, o resultado de uma conjunção entre redes de comunicação, banco de dados e fontes de informação, que permitem guardar, modificar e cruzar dados através de infraestruturas físicas relacionadas.

De acordo com o critério de diversos analitas militares, a cibernética tem para a guerra moderna a mesma importância que tiveram as metralhadoras para a Primeira Guerra Mundial e os carros de combate para a segunda, com a substancial diferença de que, enquanto aqueles que tinham um alcance limitado, o impacto de uma "bomba informática" pode ser comparado ao de uma arma em destruição em massa. 

E não se trata de ficção cientifica. A influência das "armas cibernéticas", a amplitude do campo de batalha pode abranger o planeta - incluindo o espaço exterior -, e a infraestrutura civil do adversário converter-se em alvo preferencial do ataque, pois, uma vez afetadas as redes de transmissão de dados de importantes setores da economia e de serviços, provocam uma situação caórica na vida cotidiana do país agredido. 

Militarizar o Espaço Virtual

O tema da cibersegurança ganhou notoriedade depois dos ataques terroristas de 11 de setembro. A Guerra cibernética apareceu como uma prioridade para as forças armadas da nação. O ex-presidente da Junta Militar de chefes do Estado Maior dos EUA, almirante Michael Mullen, disse ao Senado estadunidense que "não se pode realizar operações militares com exito, sem uma plena ação no ciberespaço".

Em 23 de Junho, ex-secretário de Defesa dos EUA, no governo Obama, Robert Gates, assinou a ordem para a criação do chamado "Comando Ciberespaço". Este foi atribuída a missão fundamental da "operam no ciberespaço como coordenadora dos esforços das forças armadas para impedir ou anular os inimigos dos Estados Unidos." Este comando está subordinado ao Comando Estratégico dos EUA.

Assim, o uso do ciberespaço pelas forças armadas, tanto ofensiva quanto defensivamente, geram um complexo estratagema militar denominado pelo Exército estadunidense de "Guerra ou Operações de Informações". A este respeito, o conceito contido em seus manuais de operação é: "construir capacidades que se integrem na guerra virtual; operações em rede de computadores, operações psicológicas, dissimulação militar e de segurança; para influenciar, interromper e interferir no processo de tomada de decisões do inimigo." 

Ou seja, a missão do novo comando militar não é apenas defender, como assinalado, mas também, inclui a neutralização, incapacitar ou destruir as forças inimigas, mesmo em tempo de paz". Fundamentalmente, atacar as redes para assegurar o controle, gestão, comunicação, mesmo sem estar ligado à internet. 

Um cenário real

Dessa forma, pode parecer que a Guerra cibernética é um assunto para os filmes de ficção científica. Mas é um contexto real com perspectivas de evolução imprescindíveis. 

Já é demonstrado que um dos vários ataques cibernéticos são capazes de desconectar redes - de informática, ou elétricas, ou de comunicações - uma cidade inteira, em vez de difundir informação falsas em computadores do sistema de defesa. As experiencias de invasão estadunidense no Iraque evidenciam que toda conexão em redes, incluindo a telefonia celular, podem ser objeto de um ataque cibernético.

A proliferação continua de sofisticadas tecnologias informáticas de livre acesso e a fácil aquisição destes, faz que cada dia seja mais dificil a identificação do atacante. De maneira que infiltrar-se em um computador de forma ilegal e introduzir virus capazes de infectar milhares de outros computadores, em segundos, é cada vez mais fácil.

Por outro lado, não é preciso preocupar-se com a distância de que o atacante. Os "ciberatacantes" podem estar em qualquer parte do mundo.

O Pentágono é várias outras agências de inteligência trabalham há anos para o desenvolvimento de "armas informáticas" capazes de anular o sistema de defesa inimigos e de comunicações.

A ciberguerra é igual a outras formas de agressão e Washington se vale de seu privilégio tecnológico: 80% do tráfico mundial de internet passam por servidores controlados pelos EEUU. Por outro lado, a grande dependência tecnológica em todos os setores da sociedade - inclusive as forças armadas - convertem os Estados Unidos em um elemento extremamente vulnerável de um eventual ataque cibernético. 

Adaptado de: Revista VERDE OLIVO septiembre/2009
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