domingo, 12 de março de 2017

Outra farsa midiática contra a Síria

A banalização da realidade social e a doentia apresentação da dor alheia atingem níveis de farsa generalizada no outorgamento de um Oscar ao documentário White Heltmes (Capacetes Brancos) e seu papel na Síria.

Tanto em Damasco como em qualquer região que vive a impiedosa guerra imposta a esta nação do Levante, a notícia causou um dramático choque, não só pela manipulação de fatos e cenas, mas pelas obscuras e insensatas argumentações.

Khaled Khateeb, um dos autores do documentário, com apenas meia hora de duração, não pôde participar da cerimônia prevista porque o Departamento de Segurança Nacional estadunidense lhe bloqueou a entrada à nação sede da cerimônia desde 1929.

Os organizadores do Oscar, um tradicional prêmio anual da Academia das Artes e da Ciência cinematográficas dos Estados Unidos, não deram explicações e somente se limitaram a promover em sua página digital que os 'Capacetes Brancos' são 'voluntários civis neutros' que salvaram 60 mil vidas na Síria desde 2013.

Muito menos faz referência como antecedentes ou argumentações 'a favor do curta' que em abril do ano passado, um dos dirigentes da organização, Raed Saleh, não pôde entrar nos Estados Unidos procedente da Turquia para receber um prêmio humanitário porque em Washington os alfandegários o obrigaram a regressar afirmando que seu visto tinha sido cancelado.

Estes fatos, admitidos ou não pelos grandes meios de comunicação do mundo ocidental, representam uma clara tendência para a simulação e a sociedade do espetáculo como uma realidade inegável no mundo atual no qual vivemos.

Para desmontar a farsa há suficientes elementos, conhecidos e não ditos pelas autoridades estadunidenses, mas que existem e demonstram a insensata ação da manipulação midiática através da mentira e da apresentação de receitas cada qual mais falsa, inútil e fraudulenta como parte da simulação política para destruir a Síria e desvirtuar qualquer valor humano.

Os chamados Capacetes Brancos, que depois adotaram o nome de Defesa Civil Síria, foram criados no final de 2012 e início de 2013 por James Le Mesurier, ex-oficial do Exército britânico que começou a treinar os primeiros 'defensores civis' na Turquia.

Agem nos territórios controlados pela oposição extremista armada, sobretudo o Exército para a Conquista do Levante, outrora Al Nusra, e afirmam que 'salvam gente das duas partes do conflito', mas não incluem os leais ao Governo sírio.

Nesse sentido, o documentário 'premiado' mostra vários capacetes brancos misturados com membros do grupo armado que captura um 'porco de Assad', assim o definem na narração.

Há mais elementos para avaliar a manipulação porque esse grupo recebe doações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que assegura lhe ter entregue mais de 23 milhões de dólares, assim como de governos de países como Reino Unido, Dinamarca e Japão, e de organizações vinculadas com o magnata George Soros, segundo denúncias públicas reiteradas não só a partir da Síria...

Mais uma argumentação: Prensa Latina pôde comprovar em Alepo, com base em depoimentos e relatos bem espontâneos, que os Capacetes Brancos agiam nos bairros orientais sem limitações e junto às unidades do outrora Al Nusra, e para eles os sírios na zona ocidental da cidade controladas pelo Exército sírio estava fora 'do suposto alcance humanitário de seus trabalhos'.

Mais uma vez, a indústria do cinema estadunidense continua sendo injusta baseando-se no entrelaçamento da exibição da desigualdade com o entretenimento mais alienante, e a doentia apresentação da dor alheia.

Missão Impossível, John Wick, Batman, Superman, A Mulher Maravilha ou qualquer outra 'obra cinematográfica' destinada à exacerbação do mito do poder dos Estados Unidos sintetiza-se em um prêmio outorgado ao documentário Capacetes Brancos, uma manipulação midiática mais destinada a desvirtuar os valores humanos em função dos interesses políticos.

Pedro García Hernández
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