terça-feira, 21 de março de 2017

Um eldorado no litoral cearense

Depois de décadas de expectativas, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (conhecido como Porto do Pecém) finalmente está em pleno funcionamento. O CIPP é um gigantesco empreendimento constituído por indústrias de ponta que se instalaram na região atraídas pela localização privilegiada, que permite escoar produtos para a Europa, África, Estados Unidos e Ásia com maior rapidez, e pelos vantajosos incentivos fiscais concedidos pelos governos estadual e municipal. Além das indústrias instaladas no complexo, inúmeras outras indústrias do norte-nordeste se utilizam da logística do porto. Com atividades integradas, abrange 1.768 metros de extensão construídos sobre dois píers marítimos ligados ao continente por ponte rodoviária, localizado no limite entre os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Fortaleza.

Em função do porto, toda a infraestrutura do estado passou por grandes transformações nos últimos anos: a malha viária foi ampliada interligando as rodovias CE-085, CE-421 e BR-222 ao porto; instalação de uma linha férrea com 22,5 km, interligando o CIPP ao ramal norte da Transnordestina; um sistema de abastecimento de água com a obra estadual Canal da Integração que entra em operação a partir do Açude Castanhão (o destino das águas transpostas do rio São Francisco para o Ceará). Um cenário próspero e animador, que dinamiza a economia local e a arrecadação do estado.

Portanto, um eldorado – com todas suas vicissitudes - no litoral cearense que tem atraído não somente empresários ávidos por incentivos fiscais, mas também milhares de trabalhadores. A corrida desenfreada de indústrias multinacionais para uma região que até pouco tempo possuía a economia baseada na pesca deixa ainda mais sensível o fosso entre ricos e pobres. Somado a isso, a falta de planejamento pela administração municipal de São Gonçalo do Amarante e Caucaia perante a explosão demográfica nestas cidades deixa o cenário dramático, à beira de um colapso. Com o crescimento populacional, cresce também a demanda por serviços públicos, que necessita da abertura de novas ruas, iluminação pública, coleta de lixo, assistência à saúde e educação, entre outros.

Assim, o acúmulo de riquezas gerado pela atividade econômica incide proporcionalmente no cinturão de contradições sociais em torno do CIPP. Os trabalhadores de diversas regiões do estado, e até do país, diante da especulação imobiliária da região, são levados a ocuparem o entorno do polo industrial, dando origem aos novos guetos e bairros operários. Além da população local, composta de pescadores, pequenos agricultores e artesãos, que em sua maioria não possuem especialização adequada e é relegada aos trabalhos de menor qualificação técnica e baixos salários.

O processo pelo qual passa as populações de São Gonçalo do Amarante e Caucaia resulta diretamente do desenvolvimento capitalista na região, que imprimiu relações sociais baseadas na exploração do homem pelo homem. Sem dúvidas, o Porto do Pecém significa um importante avanço material, econômico e tecnológico, mas o acúmulo dessas conquistas nas mãos de poucos industriais diante de toda a massa de trabalhadores só acentua o ônus da cruel sociedade de classes. Fato este superado apenas com socialização dos meios de produção: com o socialismo.

Sucursal CE

FONTE: Jornal Inverta
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