sábado, 22 de abril de 2017

A arte como mercadoria

O Teatro é um tipo de Arte Cênica, do qual a etimologia desta palavra como cita o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, significa arte de representar. Assim como as demais Artes Cênicas: o Cinema, a Televisão com Seriados e Novelas, o Carnaval, o Circo, o Balé, a Ópera, alguns Shows Musicais; tais artes só são consideradas cênicas porque necessitam de encenações, ou seja, atores, dançarinos ou cantores representando personagens de uma dramaturgia.

Existe uma vertente que se refere ao surgimento do teatro a partir do Oriente Antigo, no Egito, há três milênios antes de Cristo, por conta das homenagens homéricas ao deus legislador todo-poderoso com música e diálogo dramático.

Há ainda quem afirme que o teatro nasceu de forma primitiva e indígena. Segundo Margot Berthold, o Surgimento de uma das oito Artes Cênicas, o Teatro, se deu na Época Primitiva:

Podemos aprender sobre o Teatro Primitivo através das tribos aborígines, que tem pouco contato com o resto do mundo e cujo estilo de vida e pantomimas mágicas devem, portanto ser próximos daquilo que nós presumimos ser o estágio primordial da humanidade; a inesgotável riqueza de danças mímicas e costumes populares que sobreviveram pelo mundo afora. O teatro dos povos primitivos assenta-se no amplo alicerce dos impulsos vitais, primários, retirando deles seus misteriosos poderes de magia, ritos de iniciação e xamanismo dos vários cultos divinos. (BERTHOLD, 2011, p.2)

Porém, estas são duas linhas em que mais se especula, porque é pouco reconhecida pelo fato de não obter contexto histórico comprobatório. Já Carlinda Nuñez, defende que o teatro surgiu no Ocidente, com os rituais religiosos oferecidos a deus Dionísio:

O Teatro Grego, fruto da celebração religiosa ao Deus Dionísio, cujas manifestações envolviam o canto, a dança, a bebida e evoluíram para espetáculos teatrais trágicos, que não perderam seu caráter religioso. Os textos gregos eram permeados da mitologia, representavam mitos ou envolviam diretamente os deuses que apareciam em cena para castigar algum mortal que havia desrespeitado os desejos divinos. (NUÑEZ, 1994, p.4)

O teatro é umas das mais antigas de todas as Artes Cênicas, pois o surgimento foi na Antiguidade Clássica em Atenas, na Grécia, no século V antes de Cristo. Surgiu com as manifestações em homenagem ao Deus do Vinho e da Orgia, do qual a população se embriagava.  Téspis foi o primeiro ator, quando no meio da orgia e do rito, disse ser o Deus Dionísio e se comportou como tal, ou seja, fingiu ser outra persona, interpretou o primeiro personagem e deu início ao teatro que conhecemos.

O governo ateniense se utilizou do teatro para manter a população coesa às diretrizes dos governantes, pois promovia festivais e mobilizava eventos que duravam em média duas semanas e era patrocinado por ricos comerciantes, além do conteúdo das peças tratarem de moralismo através da mitologia grega. Os autores mais requisitados da tragédia e da comédia eram: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes.

Guilherme Veiga corrobora com a ideia do Surgimento do Teatro ser na Grécia Antiga:
Os valores existentes na Grécia no Século V antes de Cristo certamente eram fruto de uma tradição. Quando o pensamento teórico eclodiu e se disseminou, os valores estéticos, por meio dos quais a arte teórica se expressou, não tinham em sua origem nada de teórico. Assim foi no caso do culto de Dionísio e das lendas homéricas dos quais se imagina ter surgido o teatro. (VEIGA, 1999, p.68)

As mulheres não participavam das apresentações, somente cozinhavam para os atores. Os personagens femininos eram interpretados por homens que utilizavam máscaras teatrais como forma de caracterização principal.

O Teatro surgiu no Brasil quando Portugal começou a fazer do Brasil sua colônia. Os Padres da Companhia de Jesus, chamados de jesuítas, com o objetivo de ensinar aos índios a doutrina da religião católica, trouxeram uma cultura diferente em que se incluía o teatro auto. O principal colonizador, ou catequista, como era chamado, foi o Padre José de Anchieta. Como cita Décio de Almeida Prado:

A primeira pessoa a escrever peças com certa regularidade do Brasil foi o Padre José de Anchieta (1534-1537).

Escrevia em versos de ritmo popular que não tinha em vista a arte teatral. Servia-se desta, sem se importar muito com a natureza, para compor o que se poderia qualificar de sermões dramatizados. (PRADO, 1999, p.19)

A primeira peça de teatro brasileira encenada foi Padre José de Anchieta quem escreveu, chama-se “Auto de Pregação Universal”, com um caráter pedagógico baseada na Bíblia. Os personagens eram santos, demônios e imperadores que representavam o amor e o temor de Deus.

Já no século XVII, houve um declínio do Teatro dos Jesuítas, passando a somente ter apresentações em época festiva de aclamação a D. João IV. Também neste século, surge a repercussão do teatro espanhol.

O século seguinte foi da introdução ao estrangeirismo, visto que o Teatro Brasileiro sofreu influência de vários dramaturgos de diversos países, como Molière e Voltaire da França, Maffei e Goldoni da Itália, Metastásio de Roma, entre outros. O Teatro Nacional só despontou no século XIX. Em 1808 a Família Real veio para o Brasil e trouxe uma série de melhorias para o nosso país, que inclui a inauguração do Teatro João Caetano em homenagem a D. João VI no Rio de Janeiro, que estimulou para inaugurações de outros teatros.

Em 1822, um exacerbado sentimento nacionalista liderou as manifestações teatrais por conta da Independência e passou a se chamar Época Romântica. Os principais autores brasileiros responsáveis por esta época foram: Martins Pena, Artur Azevedo, Joaquim Manuel de Macedo e Gonçalves de Magalhães, que escreveram sobre as comédias de costumes, contudo inclinadas na grandeza territorial do Brasil e na hospitalidade da população. Na segunda metade do século XIX inicia a Época Realista, dando estopim na dramaturgia da Companhia Joaquim Heliodoro com o gênero Teatro de Revista, que são várias cenas curtas retratando as manchetes de jornais da atualidade de forma crítica e humorada, contando também com paródias musicais.

Adriana Rolin

FONTE: Jornal Inverta
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