quarta-feira, 31 de maio de 2017

O enfoque frustrado de Michel Temer

Colocado em xeque por um empresário ao qual recebeu em sigilo no Palácio de Jaburu e depois chamou de fanfarrão, o presidente brasileiro, Michel Temer, se vê agora também contrariado por um enfoque governamental frustrado.

Em uma repentina decisão dominical, Temer nomeou como novo ministro de Justiça a Torquato Jardim -um aliado incondicional que vinha desempenhando à frente da pasta da Transparência, Fiscalização e Controle- em substituição de Osmar Serraglio, que encabeçava o ministério desde março último.

A movida contemplava também a passagem de Serraglio à vaga deixada por Jardim, para desse modo preservar o foro do deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que como Temer foi delatado pelo proprietário do frigorífico JBS, Joesley Batista, por corrupção e foi afastado do Congresso por decisão judicial.

Mas o enfoque fracassou ontem quando Serraglio -a todas luzes inconforme com a mudança- se recusou a aceitar o convite de Temer, alegando que queria regressar à Câmera baixa para dar continuidade 'a meu trabalho a favor do Brasil que queremos'.

Serraglio, vale recordar, fez todo quanto lhe foi possível desde sua posição de titular da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para anistiar os delitos do ex-líder dessa Casa Eduardo Cunha, preso e condenado há mais de 15 anos de prisão no âmbito da operação anticorrupção Lava Jato.

Também, nem bem assumiu a pasta da Justiça se viu envolvido no escândalo de corrupção revelado pela operação Carne Fraca, a maior realizada pela Polícia Federal, na qual ficaram ao descoberto seus vínculos com Daniel Gonçalves Filho, líder da organização delicitiva que, em troca do pagamento de subornos, emitia permissões sanitárias irregulares sem realizar nenhum tipo de controle efetivo nos frigoríficos.

Com sua decisão, valorizou a Rede Brasil Atual, 'Serraglio colocou mais lenha na fogueira da crise política' que ameaça com consumir o governo de Temer, obrigado agora a manobrar com celeridade para assegurar proteção a seu ex-assessor especial Rocha Loures, surpreso 'in fraganti' quando cobrava uma grande propina de meio milhão de reais.

Segundo nota da imprensa, o presidente começou a consultar já a seus aliados para valorizar a possibilidade de nominar ministro de Transparência a um dos três deputados federais do governante Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) pelo estado do Paraná e, desse modo, preservar o foro especial de Rocha Loures.

Peemedebistas chegados ao Palácio de Planalto advertiram que o legislador apartado e ex-assessor especial de Temer vive uma situação de muito estrés nas últimas semanas e alega se sentir encurralado e abandonado, com o que não se descarta que decida negociar uma delação premiada.

De acordo com o delator Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais de JBS, Rocha Loures era menos um intermediário; o 'mensageiro' encarregado de receber o suborno, que seria pago cada semana e teria como destinatário final a Temer.

Por outro lado, um comentário do blog Os Divergentes previu que a mudança de ministro de Justiça ordenado por Temer possa desencadear um contra-ataque da Polícia Federal (PF).

São fortes e insistentes os rumores de substituição do diretor da PF, Leandro Daiello, em uma operação que teria como propósito diminuir o impulso da operação anticorrupção Lava Jato e que contaria com o apoio total do Legislativo e o respaldo de parte do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou a fonte.

Para a autora do comentário, Helena Chagas, 'o contra-ataque da PF e de outros investigadores não costuma ser brincadeiras. Por isso muita gente espera nas próximas horas novas filtragens de documentos, depoimentos e até gravações contra Michel Temer'.

Além de conseguir um maior controle sobre a PF, a nomeação de Jardim teria como objetivo dar longas ao julgamento da chapa vencedora nas eleições gerais de 2014 (Dilma Rousseff-Temer), que retomará em 6 de junho e possa decidir a cassação do mandato e com isso a saída do inquilino do Palácio do Planalto.

Jardim, que em uma recente entrevista afirmou que sua lealdade ao Presidente 'é inequívoca', como ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 1988 e 1996 e dirigiu o Instituto Brasileiro do Direito Eleitoral entre 2002 e 2008.

FONTE: Prensa Latina
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