quinta-feira, 6 de julho de 2017

A raiz da guerra é o dinheiro

Toda guerra, como outras áreas da atividade humana, tem imperativos econômicos refletidos pelos interesses de alguns segmentos da sociedade que se enriquecem com elas. Enquanto soldados e muitos cidadãos civis perdem a vida, alguns negócios têm lucros extraordinários. 

Para esses negócios, especialmente nos tempos de uma economia de guerra, esta é, simplesmente, um muito bom negocio. Os vendedores de armamentos amam os ventos da guerra. Os negociantes de rações de comida amam a guerra. Muitas corporações vêem as gueras como mensageiros dos “bons velhos tempos”. Arrisco-me inventar a frase, “A raiz da guerra é o dinheiro”.

Os japoneses invadiram a Manchúria, não porque eram “maus”, mas porque buscavam matérias-primas  que sua pátria não podia prover. O Iraque invadiu o Kuwait, não porque eram “maus”, mas porque o Kuwait podia ter dobrado automaticamente seus depósitos de petróleo. 

A guerra tem, muitas vezes, suas razões econômicas escondidas. A guerra é uma ferramenta da política exterior, e da política econômica. Mas, qual é a política exterior dos Estados Unidos? O investigador Jerry Fresia, em “Em direção a uma Revolução Norte-Americana” (Towards to American Revolution, South End Press, 1988), nos diz:

“George Kennan, principal oficial do corpo de planificação do Departamento de Estado, deu, em 1950, um informe aos embaixadores latino-americanos, no qual disse que a preocupação mais importante da política exterior deve ser a proteção das nossas matérias-primas. Mais ampla e claramente, os recursos materiais e humanos que, por direito, são nossos, requerem que combatamos uma perigosa heresia, que se propaga pela America Latina: a idéia de que o governo tem responsabilidade direta pelo bem-estar do povo”. (p.81).

 Quando alguém lhe diga que a política exterior dos Estados Unidos “propaga a democracia”, “defende a liberdade”, ou algo parecido, pense no que disse Kennan aos embaixadores latino-americanos. O que lhes disse é a pura verdade. 

A guerra não é outra coisa que o instrumento chave dessa política exterior; é, na realidade, um inferno para muitos, mas, para outros, é um negócio redondo e muito produtivo.

Mumia Abu Jamal

FONTE: Revista Tricontinental, nº162/2007, p.60-61. Publicação da Organização de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina (OSPAAAL).
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