sexta-feira, 7 de julho de 2017

MANIFESTO DA JUVENTUDE 5 DE JULHO

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição até biológica.”

Che Guevara


Vivemos uma geração e uma época em que os capitalistas (aqueles que dominam os meios de produção) aperfeiçoaram de uma forma jamais vista seus aparelhos de controle e alienação ideológica. Somos a geração em que está impregnada os falsos sentimentos de egoísmo e individualismo, em que a grande parte das vidas da juventude é consumida pelas telas de smartphones e pelas redes sociais.

Por outro lado, infelizmente a vida da juventude não é apenas tragada pelos aspectos da alienação informacional e ideológica, a juventude de nosso país é também consumida por um extermínio programado contra a população trabalhadora, pobre e negra. A presença da agressão policial, do acúmulo de miséria em determinadas partes da cidade, e a presença do crime organizado, não são elementos aleatórios da realidade, são ações programadas que se intensificam nessa conjuntura em que o capitalismo vive uma crise terminal, e que a destruição das forças produtivas (incluindo a força de trabalho, ou seja, os trabalhadores e trabalhadoras excedentes) é algo necessário a manutenção desse sistema econômico e social perverso que suga a vida da população pobre e trabalhadora por meio da superexploração da força de trabalho, o subemprego, a negação a cultura, acesso a educação e serviços básicos a reprodução humana como o direito a moradia e a saúde, isto é, onde é negado o mínimo de direito a dignidade humana.

A Juventude 5 de Julho nasce com esse caráter de disputar e organizar mentes e corações de jovens que estão sendo cooptados dia a dia pelo crime, pela barbárie e pela alienação. Hoje nossas periferias não são apenas imensos bolsões de miséria e exploração de mão-de-obra barata, mas também são imensos vazios políticos, e quando a injustiça e a barbárie são a lei, a organização popular e revolucionária que rompa com as amarras das injustiças deve ser a ordem! Por isso propomos uma juventude de novo tipo, que não nega os tradicionais espaços de organização juvenis, onde a maior parte das organizações de esquerda trabalham (Diretórios Acadêmicos, UNE, UBES e etc), mas não fazemos desses locais nossa única prioridade ou como para muitos, exclusivo local de ação. Queremos e vamos disputar e organizar a juventude proletária nos lugares onde ela viva de fato, nas favelas, nas malocas, no campo, nas torcidas de futebol, nos grupos de cultura popular, nos presídios, nas igrejas, nas tribos, nos guetos, nas vilas, nos alagados, nas ocupações rurais e urbanas...

E então por que Juventude 5 de Julho?

Esquecer a sua história é um dos maiores erros que o povo pode cometer, o esquecimento é uma arma eficaz das classes dominantes para se manterem onde estão, e ao mesmo tempo quando o povo conhece sua própria história e suas referências ganha-se uma força que é inabalável, que se chama convicção, pois se trata do conhecimento da verdade referente a si e a sua gente. Por isso saudamos em nosso nome uma data a que todos os brasileiros e brasileiras deveriam ter em seu coração como força para lutar dia a dia contra as injustiças e por uma nova sociedade, que é o 5 de Julho.

O primeiro 5 de Julho a que saudamos ocorreu em 1922, viviamos em uma república jovem, mas governada pelos mesmos oligárcas que ceifaram milhões de vidas de nosso povo nos tempos de escravidão. Era a república que importava da Europa, supostas ideias “avançadas” como o liberalismo e interpretações falsamente científicas que justificam o racismo institucionalizado, uma época em que 8 em cada 10 brasileiros e brasileiras não sabiam ler nem escrever, que as jornadas de trabalhos superavam as 14 horas diárias, que mulheres em estado de gravidez avançada trabalhavam por horas e horas a fio em máquinas de teares, que crianças sofriam amputações de parte de seu corpo nas modernas fábricas capitalistas. Essa era a República, em que jovens tenentes descontentes com essa situação, ousaram mudar. Isolados depois de arrebentados nos quartéis onde conspiravam contra os poderosos, almejando justiça, apenas 17 militares e um civil, ousaram marchar pelas praias de Copacabana e manchar aquelas areias de sangue contra a tirania e a opressão contra povo, esse foi o primeiro 5 de julho, apenas dois revolucionários sobreviveram: Siqueira Campos e Eduardo Gomes.

Dois anos após, já melhor organizados, esses mesmos tenentes agora cobertos de apoio popular e por quartéis de todo o país, se levantavam em São Paulo sob o comando de Miguel Costa também em 5 de Julho, militares honestos que visavam honrar aqueles que tombaram em Copacabana. Os mesmos dominaram São Paulo por alguns dias e governaram para o povo, porém, acuados por bombardeios em fábricas e moradias de trabalhadores e trabalhadoras, marcharam para o interior, onde encontraram um novo chefe, jovem com apenas 26 anos na época, chamado Luiz Carlos Prestes. Também no sul do país lutava contra a injustiça, construiu escolas para os soldados analfabetos, onde ele mesmo era professor, enfrentava seus superiores que visavam humilhar seus companheiros de trabalho, e daquela junção entre as forças de Prestes e Miguel Costa, surgia uma coluna que ficaria marcada na história como a maior guerrilha da humanidade, se chamou Coluna Prestes, onde se percorreu 25 mil km por todo país, de norte a sul, de leste a oeste, uma coluna de soldados pobres, a cavalo ou a pé, marchando pela justiça, enfrentando latifundiários que esmagavam o homem e a mulher do campo, liberando das cadeias outros tantos que sofreram de injustiças, queimando processos forjados contra o povo, distribuindo a riqueza que a própria classe trabalhadora produziu.

Essa Coluna apesar de não ter tomado o poder, depois de marchar por 2 anos e 3 meses, e se recolher na Bolívia, foi fundamental para que se conhecesse pela primeira vez as mazelas que de fato o povo vivia. Prestes o general do povo, o Cavaleiro da Esperança como foi apelidado, viu que não bastava ter um novo governo para mudar a situação de nosso povo, era necessário um novo sistema, uma nova sociedade, a sociedade comunista que de fato desse poder ao povo.

Onze anos mais tarde o 5 de julho voltaria a ser erguida como bandeira. Se ascendia no mundo regimes chamados de fascistas que visavam esmagar o povo e suas conquistas simbolizadas principalmente pelo avanço que havia sido conquistado na União Soviética, primeiro Estado dirigido por operários. No Brasil Vargas e outros lacaios também flertavam com a política da morte. E justamente aqui no Brasil, novamente sob o comando de Prestes se fundou a primeira aliança antifascista do mundo, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), que aglutinou homens e mulheres por todo país em torno de suas bandeiras por um programa que esmagasse o fascismo e garantisse pão, paz e terra a todos os trabalhadores (as) desse país. Foram eles esmagados quando se levantaram em novembro, sofreram torturas inimagináveis e tantas mortes brutais, além de crimes imperdoáveis como a deportação da guerreira Olga Benário Prestes grávida para a Alemanha Nazista.

Os mesmos porém levantaram o povo em torno da campanha antifascista e levaram o governo brasileiro a mudar de lado e combater as bestas de Hitler, e levar o Brasil a conquistas democráticas posteriores. Por isso ressaltamos no nosso nome que esses 5 de julhos jamais podem sair de nossa mente, e jamais sairão pois como afirmou Karl Marx, o mais celebre pensador de nossa época “A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”, logo o conhecimento de sua história leva o povo a ter uma arma fundamental para o enfrentamento da opressão, e da injustiça, a verdade como arma.

Por fim, chamamos os e as que jovens de todo Brasil, das periferias, dos campos, dos alagados, os desempregados (as) os explorados (as), os que vivem dificuldades e injustiças, aqueles(as) que se rebelam e que querem se rebelar que se juntem a essa juventude de novo tipo, uma juventude revolucionária. Para escrevermos juntos, com nosso próprio sangue se preciso, o futuro que nosso povo merece. Sempre será 5 de Julho.

OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!

5 DE JULHO DE 2017

FONTE: Jornal Inverta
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