terça-feira, 13 de maio de 2014

Capitalismo gera remoções e crise habitacional no Ceará


Essa matéria foi publicada na Edição 472 do Jornal Inverta, em 30/04/2014
Capitalismo gera remoções  e crise habitacional no Ceará
Apesar do crescimento do PIB no Ceará, 93.847 famílias cearenses vivem em casas de taipa, o segundo maior índice do país, segundo o IBGE.
Recentemente foi divulgada uma pesquisa realizada pelo IPECE que aponta o crescimento do PIB do Ceará em 3,44%, acima da média brasileira, que é 2,3%.
Assim, o PIB do Ceará, que em 2007 era de R$ 50 bilhões pulou para R$ 96,5 bilhões em 2012 e, em 2013, passou para R$ 105,7 bilhões.
Com estes resultados em progressão geométrica muitos economistas e setores do empresariado comemoram o desenvolvimento econômico da região. Entretanto, esta euforia tem classe social.
De forma nenhuma estes dados correspondem à socialização das riquezas produzidas no Estado do Ceará e, pelo contrário, o próprio capitalismo ascendente e além de gerar contradições no seio da “prosperidade” agudiza o fosso entre ricos e pobres.
Também recentemente o IBGE, ao realizar o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou que 93.847 famílias cearenses vivem em casas de taipa.
Esse é o segundo maior índice do país. Nos 26 estados e Distrito Federal são 895.159 edificações do tipo.
O Ceará fica atrás apenas do Maranhão. Isso compromete seriamente a qualidade de vida dos residentes e coloca as famílias em uma situação extremamente vulnerável, com riscos de ter o “lar” destruído por qualquer tipo de intempérie.
Na capital do Ceará, onde o aquecimento econômico é mais latente, o desnível entre ricos e pobres é ainda mais discrepante.
Como o capitalismo na cidade está em pleno desenvolvimento, Fortaleza virou um canteiro de obras para suportar estruturalmente a expansão do mercado.
Só que o mesmo lugar que possui um PIB bilionário, também possui aproximadamente 134 mil pessoas em situação de extrema pobreza vivendo com rendimento médio de R$ 70,00 ao mês, o que representa 5,5% da população total da cidade.
Fortaleza também possui um dos metros quadrados mais caros do país, inviabilizando boa parte da população do “sonho da casa própria” e relegando as famílias a comprometer o pequeno orçamento com um aluguel valorizado. Isto é, quando conseguem pagar pelo lar para morar.
Por isso, o número de novas ocupações crescem no mesmo ritmo do PIB bilionário. Muitos terrenos, principalmente na periferia da cidade e até em área costeira, hoje estão cheios de casinhas de taipa e barracos.
E como a cidade está adaptando sua estrutura às novas exigências do mercado, o progresso deve remover, passar por cima das famílias menos desfavorecidas que estão nestas ocupações.
Algumas vozes responsabilizam as remoções às obras da Copa do Mundo mas, na verdade, é o desenvolvimento do capitalismo na região que gerou. A própria Copa do Mundo é resultado desse desenvolvimento do capital.
A crise habitacional é a face dessa nova fase de mudanças que encontra a região. Com a grande parte dos trabalhadores sem poder de barganha para conseguir a casa própria, e nem para custear vultosos aluguéis, muitos veem-se obrigados a buscar a informalidade.
Então, essa euforia com o Ceará chega a uma encruzilhada, pois a grande massa da população não acompanha e nem participa da riqueza.
Uma parte seleta da elite goza de luxo, enquanto milhares ainda moram em casa de taipa.
É o capitalismo no Ceará que gera remoções e crise habitacional.
Enquanto a maioria não tiver nem direito a um endereço e moradia, todo cifrão e estatística terá o brilho ofuscado.

Sucursal CE
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