terça-feira, 13 de maio de 2014

Governo federal não pode recuar mais


Essa matéria foi publicada na Edição 471 do Jornal Inverta, em 12/03/2014


Para avançar seu arco de alianças neste processo eleitoral, o governo Dilma vem seguindo determinado caminho na atual correlação de forças para compensar a perda de aliados que ficaram pelo caminho.
Com o objetivo de formar de uma ampla base para derrotar o inimigo eleitoral do momento, a aliança PSDB – DEM, o governo vem fazendo concessões e firmando compromissos que atrofia ainda mais o país e a si próprio, afastando-o ainda mais dos interesses daqueles que o elegeram, isto é, a massa trabalhadora.
Aumentos na taxa de juros (Selic), privatização (“concessão”) de aeroportos, entrega (“partilha”) do pré-sal, “controle” da inflação segundo a cartilha neoliberal – nada disso vem ao encontro da tão propagandeada sociedade mais justa ou igualitária, mesmo nos marcos do capitalismo.

A maior sangria de nossas riquezas se dá pelos mecanismos da ciranda financeira. A cada décimo (0,1%) de aumento da taxa de juros ou a cada mexida na taxa cambial, bilhões de dólares sai dos cofres públicos e vão, como o peso de ouro atraído pela força da gravidade, para os bolsos da banca financeira.
Uma gigantesca massa de recurso são apropriados por um punhado de banqueiros e especuladores, impedindo o desenvolvimento econômico e cultural (no sentido amplo) do “resto” da sociedade brasileira.
A pretexto de “combate à inflação” e “controle dos gastos públicos”, a receita é a mesma: choque de juros e câmbio flutuante.
Esta concessão do governo petista é absurda e totalmente ineficaz, já que estes setores não querem todas as concessões, querem o cofre.
Para isso financiarão com peso de ouro (caixa dois) e sempre conspirarão (grande imprensa) a favor da matriz (partido) neoliberal. Às filiais social-democrática e trabalhista, somente parcialmente.

A pretexto de formar caixa para “honrar” os compromissos do pagamento da ciranda financeira e atingir as “metas” do superávit primário, o governo petista passou a retomar as famigeradas privatizações, agora com nomes mais digestivos como “concessão” ou “partilha”.
Nas potências imperialistas, por exemplo, aeroportos não são privados, nem a mais (neo)liberal. Ao contrário, são tratados como questão de segurança nacional.
Mas o governo petista quis agradar a tal “classe média”, que corre aos aeroportos para fazer compras no exterior, com um decantado serviço de “primeiro mundo” e, de quebra, atender aos banqueiros arrecadando alguns bilhões de reais para ser saqueado com novos aumentos de juros ou (des) valorização cambial.
Depois de um ano de privatizados, os serviços nos aeroportos continuam tão precários quanto antes, desagradando a “classe média” e o caixa do governo mais endividando do que antes.

A joia da coroa do governo petista é o pré-sal, a maior descoberta do país. Ninguém ignora que o petróleo é a matéria-prima mais importante da atualidade.
Mas nem os mananciais do nosso ouro negro escapou da política neoliberal, agora sob o governo petista. Os pesquisadores da Petrobras descobriram o petróleo na camada do pré-sal e, portanto, é a Petrobras quem domina, ou está na frente, na técnica e tecnologia desta área do conhecimento humano.
Apesar de a descoberta abrir um mar de oportunidades para a indústria e ciência de ponta no país, o governo não está só “entregando” para as grandes potências nossa própria riqueza de nosso próprio solo (aliás como faz contudo), mas também “transferindo” nossa ciência em poços profundos.
Estamos pagando para perder conhecimento.
Em uma associação internacional para a transferência ou “nacionalização” de determinada tecnologia estrangeira que não dominamos e, com isso, termos o domínio à determinada área da ciência e de tecnologia – é perfeitamente compreensível e necessário.
Pagamos para receber conhecimento que levariam décadas de esforço intelectual. Os contratos de compra e transferência de tecnologia do caça Gripen, fabricado pela multinacional sueca Saap, e de submarinos convencionais e de propulsão nuclear, do estaleiro francês Direction des Constructions Navales Services (DCNS), vão neste sentido.
Agora deixar nos explorar e, ao mesmo tempo, explicar para eles como deve ser feito a exploração é um tremendo disparate, ainda mais para um governo popular.

É claro que não se pode, em hipótese alguma ou sob qualquer pretexto, se aliar com históricos inimigos do povo, setores a serviço da exploração e opressão das multinacionais, banqueiros e latifundiários, declaradamente fascistas ou não.
A direita fascista deforma os fatos, planta provas, conspira contra governos legitimamente eleitos em nações que não se alinham automaticamente com as potência imperialistas e a política neoliberal, incita a saída da crise pela violência policialesca, abafa escândalos e incapacidade de seus aliados, escolhe o culpado e coloca-o à julgamento público, em suma, proclama, por meio da sua grande imprensa, o que é a sua “verdade” e sua “justiça”.

Isso, no entanto, não significa o alinhamento automático à esquerda institucional (que não possui qualquer possibilidade, nos marcos atuais, condições de disputar as eleições com as regras do jogo) ou ao centro.
A crítica raivosa e desproporcional de determinado setores contra tudo o que é organização ou governo popular acaba por coroar a incitação da direita fascista para a violência e a anarquia. Por outro lado, o alinhamento automático ao governo está conduzindo outros setores da esquerda ao ostracismo político.


Roberto Figueiredo
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