terça-feira, 13 de maio de 2014

Palestras na UECE sobre 50 anos do golpe denunciam a ditadura civil-militar no Brasil

Essa matéria foi publicada na Edição 472 do Jornal Inverta, em 30/04/2014
Palestras na UECE sobre 50 anos do golpe denunciam a ditadura civil-militar no Brasil
Eduardo Braga, Auto Filho, Sebastião Matias e Aluisio Bevilaqua.
No dia 3 de abril foram realizadas no auditório do Centro de Humanidades da Universidade do Estado do Ceará (UECE), em Fortaleza,  as palestras “50 anos de impunidade”, alusivas aos 50 anos do golpe civil-militar fascista de 1 de abril de 1964.
A atividade estava dentro da programação da Semana da Integração e foram as boas vindas da Universidade aos calouros do curso de Filosofia, sendo estas realizadas nos períodos da manhã e noite.
Pela manhã,  a mesa foi comporta pelos Professores Aluisio Bevilaqua, coordenador da REGGEN/Cátedra UNESCO-UNU em Economia Global e Desenvolvimento Sustentável – Subsede nordeste, o Professor Francisco Auto Filho e o coordenador do curso de Filosofia-UECE, Professor Eduardo Braga.  Durante a noite, além de Aluísio Bevilaqua e Eduardo Braga, compôs a mesa a Professora Ilana do Amaral.
O Centro de Humanidades-UECE, fundado em 1973 como Faculdade de Filosofia de Fortaleza, foi desde o princípio um importante centro formador de opinião crítica.
Por sua proximidade com o 23º Batalhão de Caçadores do Exército, seu quadro docente e discente foi duramente censurado, e o movimento estudantil reprimido.
A palestra possui significado muito importante para o Centro de Humanidade enquanto marco de memória,  que teve entre seus alunos nomes como o de José Genoíno.
O professor Aluísio Bevilaqua abriu os debates fazendo a denúncia do caráter do golpe  e demonstrando que não era um fenômeno isolado, que fazia parte de uma teia de golpes de Estados ao redor do mundo, dentro do contexto de guerra fria.
E que na América Latina o evento fez parte de uma estratégia para isolar a Revolução Cubana e sufocar novas experiências socialistas e nacionalistas:
“(...) o mundo estava em ebulição em função de dois polos, de um lado, o basicamente dirigido e hegemonizado pelos Estados Unidos e de outro um hegemonizado pela ex-URSS e o Brasil que vive essa conjuntura muito marcada no livro Geopolítica e Poder, do Golbery do Couto e Silva, um dos generais do golpe, que formulou como o Brasil se situaria dentro dessa posição de bipolaridade, o que mostra qual foi a posição da ditadura militar durante esse período.
A bipolaridade cria as condições da geopolítica dos militares e da grande burguesia brasileira que apoia o golpe, a ideia de que as condições ofereciam bases estratégicas aos EUA  contra a expansão da ex-URSS na América Latina, Outro ponto importante para entender é que o golpe é medida de força, quando uma das instituições de que compõe o regime democrático se sobrepõe às demais, isso se torna uma ditadura da instituição, a ditadura pode ser de uma classe, de uma oligarquia, de uma instituição, é uma forma de governo mas não é o estado.
Importante termos isso em consideração para entender porque o Brasil tem raízes em sua estrutura de formação que permitiram com que a ditadura ganhasse essa característica da instituição militar ser eleita como poder moderador capaz de subordinar todas as outras instituições”, declarou Aluisio.
O Golpe no Brasil é emblemático, pois considerando-se a máxima de Che Guevara na Carta à Tricontinental,“para onde pender o gigante Brasil penderá o resto da Nossa América”, para o imperialismo esmagar as forças progressistas no país seria decisivo para sua dominação sob todo o continente.
O Professor Eduardo Braga também relembrou que muitos que não eram militantes de partidos também resistiram à ditadura e foram atingidos por ela, sendo em alguns casos mal compreendidos por esses militantes.
E fez um paralelo de que nem naquele momento a polícia entrou na universidade, mas que agora no que se convenciona a chamar de democracia burguesa e no estado de direito, há um desrespeito à universidade, que deve ser um local de se discutir ideias e de quebrar tradições, local de ousadia e de pensamento livre, principalmente entre os alunos de Filosofia.
O Professor Auto considerou que o que ocorreu no Brasil foi uma ditadura civil-midiática-militar uma mentira deflagrada justamente no dia da mentira contra o país.
Auto destacou a importância de que os jovens chamem para si a responsabilidade de estudar a a história recente do país, e retomou o que foi dito anteriormente pelo Professor Eduardo Braga, sobre a origem da universidade e do papel que os jovens tem de romper as tradições.
A Professora Ilana denunciou também a repressão, o estado policial, de ontem e de hoje  e criticou a conjuntura atual, em que a criminalização dos movimentos sociais está tomando proporções imensas no Brasil, e que em Fortaleza não é uma exceção, exemplificando com a repressão contra os protestos em relação a Copa e as remoções, com professores e militantes sendo presos e ameaçados por protestarem contra a ditadura do capital no Brasil.
Após as palavras dos Professores os alunos e alunas se inscreveram e debateram sobre o tema.
Nesta ocasião, os professores reafirmaram a coragem e idealismo moral dos jovens e militantes que resistiram à ditadura civil-militar. Aluisio reafirmou a diferença entre aquele período e o que vive-se hoje no país e alertou, assim como os demais da mesa, contra a ameça fascista que ronda o mundo capitalista.
Denunciar a ditadura civil-militar fascista no mesmo prédio que aconteceram inúmeros embates no período ganha contornos muito além da mera curiosidade para os recém-ingressos na universidade. Atividades como estas têm  a missão lúdica de unir o acadêmico com o ser político e sua força como agente transformador, tal qual ousaram os jovens daquela época.

Sucursal CE
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