domingo, 1 de junho de 2014

O Cenário Social no Brasil das Classes em Luta: Avaliações Políticas

Os acontecimentos recentes em nosso país demonstram uma quase declarada luta aberta entre as oligarquias financeiras internacionais imperialistas, os monopólios associados menos dependentes aos países centrais do capitalismo, alguns possuindo um muito frágil caráter nacionalista, e as classes intermediárias ou médias, que se tornaram tambor de ressonância aos interesses imperialistas no país, arrastadas que são pelos paradigmas da modernidade econômica e moralidade política, parecendo serem “contratadas” para arrastarem as massas para um processo de caos interno, contaminando as classes operárias e camponesas, principalmente os extratos mais pobres da população, submetidas que são a todo tipo de repressão, como a época da ditadura civil- militar, seja esta oficial ou paramilitar, pretendendo com isso criar um ano eleitoral de quase completa ingovernabilidade.

Algumas determinações são possíveis fontes de explicações: a primeira delas é o retorno definitivo do país a um estado de insegurança econômica com a volta da inflação corroendo os salários dos trabalhadores já no seu nível de sobrevivência, praticamente, juntando isso a problemas estruturais sofridos pelo povo, como a deterioração do sistema de saúde pública, de atendimento da previdência, o péssimo sistema de ensino nacional, além do extorsivo e péssimo processo de mobilidade urbana, tornando-se deplorável em muitas cidades e distritos do interior de nosso território.

No entanto, durante todo período pós-ditadura em algumas ocasiões tivemos grandes mobilizações como a que estamos participando; o processo de lutas pelas Diretas Já, a comoção social que alcançou todo país com a morte daquele que seria o primeiro presidente do processo de redemocratização burguesa, Tancredo Neves, um acontecimento que causa perplexidade em boa parcela das massas, o levantamento da massa jovem contra o então presidente Collor de Mello, se formando os grupos sociais dos famosos caras pintadas, estratos sociais de ideologia confusa pela dissolução em seu interior de apenas uma proposta que os unificava, a deposição institucional do presidente da federação, um estranho processo, já que também seus principais acusadores foram arrolados como réus nas maracutaias que envolviam grandes empresas imobiliárias e farra com dinheiro público brasileiro, que tem sua principal fonte de extração extorsiva na poupança popular. O caráter de singularidade em todos estes momentos conjunturais era a inflação que corroa os salários da classe operária e seus aliados históricos, acrescente-se a isso uma violenta taxa de juros favorecendo o capital especulativo e estrangulando nossa economia interna que chegou a viver graves momentos de desabastecimento principalmente de produtos que constituíam a cesta básica do povo trabalhador, e favorecendo as oligarquias financeiras imperialistas pelo processo de dívida externa, tornando o país refém dos capitais financeiro e monetário dos países do Império do Capital.

Por outro lado, faltavam às classes sociais revolucionárias o Partido da Classe Operária e de todos os setores submetidos no modo de produção capitalista, o fator subjetivo, ou por desvios de princípios teóricos, como por exemplo, o advento do fenômeno do mandonismo, além da dissociação entre trabalhadores manuais e trabalhadores intelectuais, se associava a estas questões a ausência da compreensão estratégica correta para a revolução brasileira, criando-se, desta maneira, agremiações políticas parecendo poderosas mais frágeis nos rumos que seguiam, como o PCB que ainda em mil novecentos e sessenta e quatro sucumbiria sem resistência ao golpe de estado contra o presidente constitucional, as forças político-revolucionárias organizadas que foram se rebelando contra a passividade deste partido vieram a desenvolver fortes linhas táticas de luta, porém, sem concluir para quais fins estratégicos e tornaram-se tropas de resistência urbanas ou camponesas, indefinidas, no entanto, a que porto se dirigiam, este foi um fator contribuidor do esmagamento assassino dos quadros e militantes na resistência, mas com consciência de não ser o único. A ditadura civil-militar preparou assassinos para lutar com o apoio da secretaria de defesa estadunidense, através da famigerada Escola das Américas.

São a essas determinações que nos interessam aferir seu alcance. Muitos países, dentre eles o Brasil, que estiveram por interesse dos países imperialistas, submetidos a regimes de exceção e discricionários, não prestaram contas com seus algozes e, da mesma forma, não fizeram justiça aos vitimados ideológicos ou não que sofreram as ações destes Estados de Terror, que ao contrário de serem perseguidos do mundo a que denominam os donos do capital de atrasados e retrógrados, são os imperialistas os capitães da barbárie mundial, os exemplos da Palestina, em particular, e do Oriente Médio, destacando-se o genocídio realizado na Síria.

As guerras fratricidas no continente africano estimuladas por monopólios bélicos militares, em especial os estadunidenses, a procura de um teatro de guerra na Rússia, o que criariam aliados no atual território russo, além do conflito com características de guerra civil ocorrido na Ucrânia, com a deposição de seu chefe de estado, os elementos de fascistização europeia, em particular, nos países que vivem uma crise social de longo espectro.

Completa-se o quadro com a espionagem internacional pelo governo estadunidense sobre todos os países diante da permanência da crise social econômica estrutural e de paradigmas científicos impondo a necessidade de transição sistêmica ou a barbárie social se tornará permanente.

Os EUA acreditam que desestabilizando seus concorrentes, sejam do bloco imperialista ou países em desenvolvimento, vão recuperar seu antigo espaço hegemônico.  A meta para outros países é a ingovernabilidade, esquecem que outros países já imaginam o mundo do mesmo modo, pois a crise ucraniana envolvia a Europa Unificada, que parece ter estimulado e municiado o conflito, portanto, o que podemos observar é um teatro de Terceira Guerra Mundial, não como as anteriores, mas subterrânea onde novamente as forças do nazifascismo contemporâneo estarão como as armas avançadas de todas as ações.

Sempre afirmávamos que a América Latina seria alvo destas ações que apresentamos acima, e qual a importância desta região global? As últimas grandes reservas de petróleo do planeta em todas as Américas estão neste ponto do continente, mas não só, minerais necessários para a produção de componentes de equipamentos de última geração também aqui se encontram (como nióbio e outros), além dos mais usados em produtos de infraestrutura como ferro, manganês e alumínio, sem esquecer das reservas de água potável, as maiores do mundo e a biodiversidade.

É possível assim afirmar de que durante quase doze anos de governos do PT, não pela ação das massas em empatia com Luís Ignácio Lula da Silva e seu partido, porém, mas pela submissão do partido aos interesses dos monopólios, que não encontravam candidato de consenso entre seus partidos, o que favoreceu esta ascensão com o acordo tácito do abandono de suas bandeiras de luta mais avançadas e ao mesmo tempo, por representarem uma palavra de trégua entre patrões e empregados, mas estes mesmos patrões, esperaram sempre, por parte da aliança lulista, um erro típico burguês que, ao se enxergarem donos do poder olhar o mundo como sem reflexos e onde somente sua forma vive e reproduz e onde a corrupção não é um equívoco, ou pior um roubo, mas, uma necessidade. E talvez mais cedo que esperavam isso aconteceu, o famigerado mensalão. O que não esperavam era a sobrevida do governo eleito, inclusive mais duas vitórias, inclusive com crescimento em bancadas federais, estaduais e municipais, umas com mais intensidade do que outras.

O elemento explosivo para este partido está demonstrado na debandada de partidos inteiros, ou de personagens importantes da figura nacional da denominada base aliada, ela é hoje mais uma base de conflitos o que pode finalmente favorecer a nova ascensão da direita nazifascista em nosso país. Nunca antes um governo constituído no país empreendeu uma cruzada, no sentido de conquistar para seu território um número expressivo de grandes eventos e tão variados, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, na área do futebol, as Olimpíadas para a cidade do Rio de Janeiro, durante os chamados esportes de verão, e o Encontro da Juventude, de caráter religioso católico. Mas, ao mesmo tempo, a crise econômica de transição e as vacilações do governo no sentido de realizar políticas de juros e impostos favorecendo em especial a Educação e a Saúde públicas brasileiras porque a modernização destes setores favoreceria uma política de empregos e salários mais amplas e com alcance populares, se prendeu em ajustes monetários e econômicos para satisfazer  bancos, financeiras e negócios com setores financeiros internacionais.

Os EUA e outros imperialistas viram a oportunidade da desestabilização interna do governo e as grandes marchas com atos de quebra-quebra iniciaram-se durante os primeiros eventos e não recuaram mais até o seu auge trágico com a morte de um jornalista cinegrafista de uma grande corporação de grande mídia. Ao mesmo tempo, setores inconformados com os avanços da Revolução Bolivariana intensificam ações violentas e de sabotagem, em luta de posições bem mais definidas do que a brasileira pelo processo que alcançou naquele país a luta revolucionária. No país irmão se discute as posições e definições de classe, as massas proletarizadas são pró-governo e são os donos do capital que temem perder não os anéis, mas até os dedos com a radicalização da revolução no caminho do socialismo e a formação de um Estado de Novo Tipo, como fez Cuba Socialista, com o povo cubano sendo liderado por Fidel Castro e Che Guevara.

No Brasil, os setores mais reacionários das oligarquias, como o PSDB e o DEM, pedem mais uma vez que o governo brasileiro intervenha em apoio à oposição venezuelana, em outras palavras, cumpra a função de subimperialismo que a nós as classes dominantes destinaram, fato que tem sido rechaçado pela presidenta Dilma, como fez em Bruxelas, reafirmando a posição do governo anterior quando o alvo era a Bolívia.

Dos acontecimentos que cercaram a morte do jornalista Santiago Andrade pode-se concluir que o objetivo é afastar o povo das ruas. O véu que cerca o episódio ainda não foi suficientemente levantado, mas lições importantes devem ser tiradas, entre as quais, a necessidade dos movimentos sociais não depositarem sua segurança em quem não seja de sua estrita confiança. A vitória das lutas sociais exige planejamento, ação coordenada e segurança para que os reais objetivos do proletariado sejam alcançados.

É certo que até a realização dos eventos mundiais as dívidas vão aumentar e o aparato repressivo crescerá. No plano estritamente econômico, o ritmo de capitalização das empresas envolvidas nas obras pode adquirir uma marcha mais lenta em função da crise estrutural e de transição do sistema.

Nessa hora, de tamanha complexidade, a principal tarefa dos comunistas revolucionários deve ser manter acesa a luta proletária ou poderemos estar caminhando para um novo momento de obscurantismo político em nossas terras.

Abaixo o imperialismo e sua política de agressão na Ucrânia e na Venezuela!

Pela libertação dos Cinco Heróis Cubanos!

Não à criminalização dos movimentos sociais!

Em defesa da sede do INVERTA!

Ousar lutar, ousar vencer!

CEPPES (Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais)


Essa matéria foi publicada na Edição 471 do Jornal Inverta, em 12/03/2014
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário