terça-feira, 8 de julho de 2014

Desemprego juvenil: persistente questão na América Latina

Mesmo que a América Latina decorre com melhor sorte que outras regiões o impacto da crise financeira mundial, e nos últimos anos mostra um reponte econômico, mantém desigualdades e persistentes questões como o desemprego juvenil.

Recentemente a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou da necessidade de aplicar políticas inovadoras e eficientes para resolver o panorama trabalhista juvenil na América Latina, região onde os jovens representam 43 por cento do total de desempregados.

A diretora regional da OIT para a América Latina e as Caraíbas, Elizabeth Tinoco, assinalou que a situação de crescimento econômico registrada pela região nos últimos anos não é suficiente para melhorar este problema, e ainda persistem o desemprego e a informalidade.

Na área existem perto de 108 milhões de jovens, dos quais à volta de 56 milhões fazem parte da força trabalhista, quer dizer, que têm um emprego ou estão a procurar qualquer um, mencionou Tinoco ao apresentar um estudo realizado pelo organismo.

O relatório sobre "Trabalho decente e juventude: políticas para a ação", que compara dados entre o ano 2005 a 2011, destacou que ao final deste período o desemprego juvenil atingiu 13,9 por cento.

Acrescentou que embora a taxa descesse com respeito a 16,4 por cento de 2005, os trabalhadores de 15 a 24 anos seguem enfrentando maiores dificuldades para encontrar um emprego, e sobre tudo um de qualidade.

A taxa de desemprego juvenil, assinalou, continua a ser o dobro da taxa geral e o triplo que a taxa dos adultos.

O estudo ressaltou as desigualdades, pois, enquanto a taxa de desemprego juvenil sobe por cima de 25 por cento ao considerar só aos setores de menores ganhos, está por debaixo de 10 pontos percentuais para os de maiores ganhos.

Com respeito à qualidade do emprego, apontou que 55,6 por cento dos jovens ocupados só conseguem trabalho em condições de informalidade, o que em geral implica baixos salários, instabilidade trabalhista e carência de abrigo e direitos.

De todos os mencionados assalariados, apenas 48,2 por cento têm contrato escrito, em comparação com 61 por cento dos adultos, mostrou a pesquisa da OIT.

Entre as questões mais preocupantes ressalta a existência de perto de 21 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, deles uma quarta parte procura emprego, mas, não apanha, e á volta de 12 milhões realizam trabalhos domésticos, notadamente as mulheres.

O maior desafio está nos quatro milhões 600 mil jovens que não trabalham nem estudam, e também não se dedicam a ficar em casa.

A boa notícia é que os jovens que apenas estudam aumentou de 32,9 por cento em 2005 a 34,5 em 2011.

ENFRENTAR O DESEMPREGO 

Conforme os especialistas do organismo internacional não há receitas únicas para enfrentar esta questão , mas, ressaltam as experiências bem-sucedidas e inovadoras em países como a Argentina, o Brasil, Costa Rica, Peru ou Uruguai, as que poderiam serem adaptadas por outras nações.

Estas estão voltadas a obtenção de duma melhoria e extensão dos programas de formação e capacitação para facilitar a transição escola-trabalho e permitir que os jovens tiverem melhores qualificações quando procurarem emprego, que forem capazes de responder às necessidades do mercado trabalhista.

Falam também de criar incentivos para a contratação e a simplificação de trâmites na hora de procurar uma vaga, ao mesmo tempo de facilitar o empreendimento dos jovens.

Em opinião do especialista regional da OIT em emprego juvenil, Guillermo Dema, nos últimos anos se adquiriu muita experiência sobre o jeito para defrontar os empecilhos que encontram os jovens ao ingressar no mercado trabalhista.

Entretanto, remarcou, o desafio é pô-las em prática, espalhar a sua aplicação tanto geográfica quanto temporalmente e otimizar seu desenho para que forem eficientes.

Segundo Tinoco, "estamos face a um desafio político que demanda uma demonstração de decisão na aplicação de políticas inovadoras e de efetividade demonstrada para fazer frente as questões e precariedade trabalhista".

As difíceis condições de trabalho dos jovens devem ser abordadas com políticas que estiverem voltadas especificamente a produzir mais e melhores empregos, e que lhes permitirem aspirar a um futuro digno, ressaltou a diretora regional da OIT.

Na América Latina a situação trabalhista continua sendo desafiante e os especialistas enfatizam na necessidade de redobrar o esforço por melhorar a quantidade e a qualidade dos empregos, que constituem um componente essencial do crescimento econômico pois fortalece o mercado interno e cria um ambiente propício para o desenvolvimento produtivo.

O emprego é, em si próprio , uma ferramenta essencial para a redistribuição da riqueza e a inclusão social, para a luta contra a pobreza e a desigualdade, daí a necessidade de os governos terem entre suas prioridades diminuir a um nível mínimo as taxas de desemprego juvenil.


Lourdes Pérez Navarro
Jornalista da redação de Economia de Prensa Latina.
Fonte: Prensa Latina
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