domingo, 20 de julho de 2014

E...a luta continua.....

Com todo respeito aos milhões de torcedores que investiram toda sua paixão na grande festa do mundial de futebol, não posso ficar calada vendo o que acontece em nosso planeta, no exato momento em que a grande maioria dos povos foca sua atenção no Brasil. Não acredito surpreender ninguém, e minha intenção não é chocar os apaixonados, recordando Eduardo Galeano, quando afirma que o futebol é o novo ópio do povo, ou melhor, a arena onde os gladiadores do século XXI apaziguam os anseios de justiça social da plebe mundial.

O Estado israelense não poderia ter escolhido melhor momento para levar a cabo sua mais recente invasão à Faixa de Gaza. Na verdade, a quem interessa os palestinos esmagados sob as bombas invasoras, quando estamos, ao fim, para coroar o vencedor da disputa mundial mais midiatizada? O mundo retém sua respiração antes da próxima batalha esportiva e nada poderá desviar sua atenção.
Este novo ataque à Palestina não é uma surpresa. Não podemos, pois, esquecer que a Faixa de Gaza é um território cercado permanentemente e sob a constante ameaça. Este minúsculo pedaço de terra é quase tudo o que resta da Palestina, que acolheu os judeus que fugiam de outro holocausto, o perpetrado pela Alemanha nazista nos anos da Segundo Guerra Mundial. Alemanha que se prepara para ganhar a tão esperada partida final.
E o mundo está olhando para outro lado, enquanto se leva a cabo a fase final de um plano de aniquilação do povo palestino. Um genocídio friamente calculado. Não me estenderei mais em comparativos históricos, tristemente válidos, ainda que queira entender como um Estado nascido de similar horror pode, com tal frieza, reproduzir uma violência de que, há pouco mais de meio século, seu povo padecia.

Israel detém um terrível recorde de violações aos direitos humanos. Todos os organismos internacionais possuem pesados e bem documentados dossiês sobre massacres, torturas e desaparecimentos, cujos alvos principais são crianças e jovens, o que reforça a ideia de uma vontade real de desaparecer com a população palestina. No entanto, Israel parece realmente intocável. Então, apenas ficam os povos solidários; protestar, gritar, marchar… nada tem sido suficiente...

Porém, o Estado de Israel não é o único a aproveitar a embriaguez coletiva. A Ucrânia também foi palco de uma sangrenta ofensiva do governo nacionalista de Kiev contra os territórios rebeldes, que teve como resultado a morte de 500 civis e mais de 1500 feridos, em sua primeira fase.

E aqui, na Colômbia, o exército aproveitou semelhante oportunidade para levar a cabo bombardeios indiscriminados, detenções arbitrárias e execuções de civis em Catatumbo e em Meta. Os habitantes de San José de Aparato acabam de denunciar práticas similares, sem contar as denúncias de ataques paramilitares sobre populações rurais, em muitas regiões do país. E o Gooool!!! impede escutar os gritos de dor das vítimas, como impede também de ouvir as vozes dos homens e mulheres que, neste momento, estão se preparando para abordar em todo o país o difícil tema da verdade sobre o conflito colombiano.

Quase ninguém faz nada e, assim, sonhando acordada, me ponho a pensar que existe um pequeno grupo de indivíduos que teria o poder de pressionar os povos e os estados. Dois times que podem concentrar e redirecionar a grande energia popular para uma urgente solidariedade. Seguindo o exemplo dos jogadores argelinos que deram seus prêmios de participação no mundial às crianças da Faixa de Gaza, que bom seria que os jogadores das seleções da Alemanha e Argentina possam, como um gesto humanitário, negar-se a jogar a tão esperada final mundial e, em troca, ir para as ruas e exigir a retiradas das tropas israelenses da Faixa de Gaza.

Esta ideia pode soar louca, mas me surge como um recurso ante a passividade da chamada comunidade internacional. Estou certa da força que nós, o povo, podemos exercer, se usarmos o poder de coesão e decisão com que apoiamos nossas seleções, para o bem da humanidade. A solidariedade pode ser a chave que desperta a consciência.

Natalie Mistral, guerrilheira das FARC-EP
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