sábado, 19 de julho de 2014

Fortaleza enfrenta o turismo sexual: crime hediondo do capitalismo

A prostituição e o turismo sexual é uma chaga machista e que deve ser abominada; porém, todos os esforços são nulos se não for feito nada contra aquilo que o motiva, o fetiche que faz do ser humano transformador da história em mera ferramenta de reprodução de capital.

A prática do turismo sexual sempre foi recorrente no Brasil e mesmo não sendo uma atividade legal já possui um mercado estruturado dentro do mercado internacional.

Uma organização grande e edificada que conta com uma grande rede de colaboradores que ajudam a coibir toda fiscalização.

O próprio ‘turista sexual’ ao chegar em novas terras se depara com a mesma infraestrutura da atividade convencional e que, justamente, por ser prática já recorrente, muitas vezes conta com a omissão de uma parte do setor.

A isso, soma-se a ligação direta entre o turismo sexual e o aumento da exploração de crianças e adolescentes que, na quase totalidade dos casos, é motivado por fatores de vulnerabilidade social.

Além do tráfico de mulheres para outros países. A capital do Ceará, Fortaleza, é um já famoso polo de atração do turismo sexual internacional e possui contornos de corporação, dignas de um negócio lucrativo.

Sendo considerado segmento do Turismo, o Turismo Sexual é um dos segmentos de mercado que mais cresce no mundo, e também no Brasil.

Condições de completa desigualdade social e extrema carência de necessidades básicas para a dignidade humana como falta de emprego, educação e saúde fortalecem esse quadro, aliado ao incentivo por parte das redes de prostituição que são cada vez mais complexas, envolvendo inclusive políticos e policiais. Além da falta de legislação e de políticas públicas brasileiras específicas.

A indústria do turismo sexual na cidade deixou a discrição, e ganhou repercussão internacional, quando foi pano de fundo no latrocínio, roubo seguido de morte, de seis empresários portugueses em 24 de agosto de 2001. Os empresários vieram à Fortaleza em busca de “de mulheres e meninas” quando foram enterrados vivos.

Contanto, não podemos considerar essa prática como fato isolado. A prostituição é fruto diretamente ligado ao capitalismo.

O processo de reificação dos homens e mulheres faz de cada indivíduo ferramenta ao serviço do capital. E em uma sociedade de forte cultura machista, o corpo da mulher é visado como objeto e troca no mercado.

Em se tratando de uma região de forte potencial turístico, como Fortaleza, a prostituição ganha espaço de destaque e afeta todos os setores da economia ligados ao turismo.

Essa prática em certa medida conta até com apoio institucional e setores privados. A própria imagem construída do Brasil como “paraíso dos trópicos”, conhecido também como país do carnaval, do futebol e “belas mulatas”, foi fortalecida principalmente nas décadas de 1970-1980 durante a Ditadura Militar pela EMBRATUR - Empresa Brasileira de Turismo -, utilizando a imagem da mulher brasileira como atrativo para o estrangeiro.

Soma-se a isto a constatação de que em grandes eventos é intensa a atividade turística, consequentemente a tendência é o aumento da prática ilícita.

Na Copa da África do Sul, em 2010, foram registrados 40 mil casos de exploração infantil (aumento de 63%) e 73 mil ocorrências de abusos contra mulheres (83% a mais).

Na Alemanha foram contabilizados 20 mil casos contra crianças (aumento de 28%) e 51 mil contra mulheres (49% a mais).

Nas Olimpíadas da Grécia, em 2012, foram 33 mil casos contra crianças (87% a mais) e 80 mil casos contra mulheres (78% de acréscimo).

É a lei do capital: quanto maior a procura, maior a oferta.

A ausência de condições de vida dignas é um dos fatores que levam algumas mulheres a se submeterem a este mercado em um primeiro momento, e que depois a teia de prostituição as aprisionam, transformando as moças em escravas sexuais do mundo capitalista.

Assim, mulheres da periferia de Fortaleza, a maioria jovem, adolescente e crianças são objetos de um mercado de luxo.

A capital cearense apresenta localização estratégica em relação às rotas aéreas internacionais e há muito convive com esta realidade aviltante.

É importante frisarmos que enquanto houver a exploração do homem pelo homem, haverá também a exploração da mulher pelo capitalismo.

A prostituição e o turismo sexual é uma chaga machista e que deve ser abominada; porém, todos os esforços são nulos se não for feito nada contra aquilo que o motiva, o fetiche que faz do ser humano transformador da história em mera ferramenta de reprodução de capital.


Sucursal CE
Essa matéria foi publicada na Edição 473 do Jornal Inverta, em 26/06/2014
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