quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cordelistas em defesa da cultura nordestina!

A literatura de cordel está intrinsecamente ligada à construção da identidade do povo nordestino. O povo pobre do sertão, que desde os séculos anteriores careciam de acesso às instituições de educação formal (seja o ensino escolástico, seja ensino normalista) se agarravam às pequenas composições escritas para se alfabetizar e transmitir conhecimento. Os textos poéticos, rimados e publicados em pequenos livros de papel, eram feitos manualmente pelos próprios autores. Eles são feitos com apenas uma folha dobrada estrategicamente para formar oito páginas, mas alguns podem chegar até 32.
Os cordelistas Klévisson Viana e Lucarocas

Nessa época, como o cordel era maneira eficiente de transmitir conhecimentos e informações, a boa parte dos autores aproveitava para criticar a realidade e as condições em que vivem, sempre abusando da ironia e do sarcasmo. Aliás, até hoje o cordel é uma forma poderosíssima de formação.

Porém, a literatura de cordel, justamente por ser ligado ao homem do sertão, sofre muito preconceito por parte da “cultura oficial”, ligada às elites. Nesse sentido, cordelistas cearenses formaram a AESTROFE Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará, instituição que reúne poetas populares do estado para promoção e defesa do cordel.

A AESTROFE realiza todos os meses o evento “Cordel com a corda toda”, momento onde poetas populares divulgam a literatura de cordel, recitam e improvisam versos. Um dos organizadores do evento, o cordelista Klévisson Viana, é um dos idealizadores da AESTROFE e atual presidente da associação. 

A iniciativa da AESTROFE é de grande importância para o cultivo dessa arte tão importante e característica para o nordeste. Na mesma proporção que a chamada industria cultural invade a realidade do nosso povo, muitas vezes impondo costumes da classe dominante que não são nossos, cordelistas organizados travam uma luta incansável na preservação da nossa identidade.


Carapinima
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