terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Ator fascista (I)

É duvidoso que nesta quadra da história possamos utilizar a tão decantada liberdade de expressão liberal para apontar o dedo e trazer a público a identidade de um juiz fascista, expor a sua forma de atuação, que possamos apresentar as suas credenciais ideológicas aos seus reais empregadores, o povo, apresentando o quilate de sua alta traição funcional. Mas é preciso desenhar o seu perfil para que possamos reconhecê-lo quando o avistemos.

O juiz fascista não hesita em usar a força de qualquer tipo, simbólica ou persecutória bruta, típica dos brucutus. O seu é o reino do medo aos agentes públicos, e não o do respeito por eles. Como califa de falso potentado, mente para si superpoderes e auto atribui todas as virtudes, da inteligência à pertença dominante em todas as esferas da ética. Para regozijo, todos os sabujos estão de plantão para a genuflexão continuada e falsos aplausos incontidos, tecendo loas ao parlapatão-bugre mal entrado nos salões aristocráticos. Ele próprio é sabujo-mor de cortes menores da aristocracia trançada pelo velho príncipe.

Na realidade, é servo que se crê senhor, pois piamente supõe ter sido admitido à nobreza de salões cujo círculo fechado é controlado pelo decaído príncipe cuja imagem reflete o odor das putrefações naturais de toda uma vida sob o signo do engodo habitado nos esgotos da empulhação, pública e privada.

O juiz fascista não conta com auxiliares, mas apenas asseclas, ou talvez até mesmo capangas, sempre e quando isto seja entendido de forma respeitosa aos homens que sem ofício ganham a vida com o que há. O juiz fascista desconhece o sentido e a inteligência da lei, mas apenas a usa, e se algum dia jurou cumpri-la, eis que já vai muito longe, para muito além de suas capacidades mnemônicas. O juiz fascista desconsidera os mais caros princípios do estágio civilizacional do Ocidente, vale dizer, o devido processo legal, a presunção da inocência e a irretroatividade das leis, e até mesmo o in dubio pro reo.

Nada disto importa para uma mente obcecada em utilizar os instrumentos da justiça pública para realizar os fins de um determinado coletivo político. Efetivamente, o juiz fascista constituído pelas forças políticas de um Estado democrático de direito é um traidor de sua pátria, e de grande porte, pois é pago regiamente pelo povo e, não obstante, utiliza o cargo para vilipendiar e subverter as instituições que deveriam guardar o conjunto das liberdades e os direitos das gentes. O juiz fascista manda às favas tudo quanto não seja a ideologia elitista em que foi educado, mantendo mínimo tempero legal necessário para obter legitimação pública.

O juiz fascista não realiza o direito, senão que a sua preocupação é concretizar a sua variável ideológica, e ao fazê-lo corrói a legislação democrática por dentro, pois por pior e viciados que possam ser os processos políticos de sua elaboração. Mesmo assim, indubitavelmente as normas oriundas do legislativo pertencem a um padrão conceitual democrático superior em comparação com qualquer pura e arbitrária criação de um juiz.

O juiz fascista não aplica a legislação, senão que utiliza os seus próprios sentimentos, paixões e convicções como parâmetro para articular um discurso de justiça no qual não crê e tampouco procura realizar, mas que é útil para legitimar-se em sua função. Tangencia e infravalora os princípios públicos em detrimento dos seus rumos ideológicos e o dos seus pares, de seus companheiros de viagem e interesses.

Retirado do blog "Cartas e Reflexões Proféticas"
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