segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Barbárie apodera-se de prisões brasileiras: mais de 130 mortos

A crueldade pareceu apoderar-se definitivamente das prisões brasileiras, onde nas duas primeiras semanas deste ano foram assassinados mais de 130 detentos, a maior parte deles degolados ou carbonizados.

'O cenário foi de barbárie. Eram corpos decapitados. Muita destruição', são as impressões do secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino da Silva, depois do massacre ocorrido na penitenciaría de Alcazuz, a maior do estado e onde ontem foram ultimados 26 reclusos.

Especialistas periciais confirmaram a apreciação de Da Silva e ratificaram que a totalidade dos mortos foram decapitados ou carbonizados. Em todos os casos, acrescentaram os peritos, os cadáveres tinham marcas de objetos cortantes e, aparentemente, nenhum tinha marcas de disparos.

A prisão de Alcazuz foi palco durante 14 horas de uma revolta que começou no sábado pela tarde e só pôde ser sufocada ontem, depois que forças da Polícia Militar, incluídas tropas de choque e do Batalhão de Operações Especiais, conseguiram ingressar na área dos distúrbios de forma tranquila.

Este foi o maior massacre registrado na história do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte e, de acordo com o Secretário de Segurança Pública e Defesa Social Caio César Bezerra, o embate se produziu quando presos de um pavilhão invadiram outro de uma facção rival para massacrar seus rivais.

Situada no município de Nísia Floresta, a 25 quilômetros de Natal, a capital estadual, a prisão de Alcazuz tem capacidade para abrigar 620 presos, mas nos momentos da rebelião estavam ali 1.150, segundo dados da Secretaria de Justiça e Cidadania citados pelo portal de notícias UOL.

Na paranaense Penitenciaria Estadual de Piraquara, localizada na região metropolitana de Curitiba, 28 presos fugiram e dois foram mortos ontem nos confrontos com os policiais que tentavam deter a rebelião.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, declarou aos meios de imprensa que pelo modo como se desenvolveu a ação e o apoio recebido pelos réus do exterior, 'está claro que foi orquestrada pelo crime organizado e pode ter relação com a onda de crimes que tem lugar nas prisões do norte do país'.

Ao redor das três da madrugada, houve um tumulto entre os presos, evidentemente com o propósito de desviar a atenção dos agentes penitenciários, e quase três horas depois ocorreram dois fortes estrondos que derrubaram parte do muro da prisão e cerca de 15 homens fortemente armados cobriram a evasão, relatou.

Por outra parte, soube-se também que serviços de inteligência de Recife, a capital de Pernambuco, descobriram um plano e fuga em massa d do presídio Frei Damião de Bozzano, uma das três unidades que integram o Complexo Penitenciário de Curado.

No decorrer deste ano, as revoltas nos presídios do Brasil causaram a morte de pelo menos 134 presos, mais de 1/3 de todos os assassinatos registrados no passado ano nas penitenciárias (372).

Aos 28 homicídios reportados neste domingo somaram-se os dois ocorridos na sexta-feira na prisão de Tupi Paulista, no estado de São Paulo. Antes tinham sido massacrados 67 presos no Amazonas, 33 em Roraima e dois na Paraíba e Alagoas.

Fonte: Prensa Latina
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