terça-feira, 14 de março de 2017

Venezuela: desabastecimento do mercado como arma de agressão

Os inimigos da Revolução Bolivariana na Venezuela recorrem ao desabastecimento dos mercados como um instrumento para afetar o apoio da população ao presidente constitucional, Nicolás Maduro, e ao processo de mudanças.

Ainda que pareça algo impossível em um país premiado pela natureza com as mais variadas potencialidades agrícolas, mineiras e de numerosos recursos que se possam imaginar, a agressão externa insiste na vertente alimentar para criar um maior descontentamento.

Depois de um ano de dificuldades, onde os preços do petróleo caíram notavelmente, algo que golpeou o bolso dos venezuelanos de pé e de outros extratos sociais com rendimentos mais solventes, o desabastecimento se mantém como a ameaça mais séria para a estabilidade do país.

Apesar de no último mês a nação recuperar certa tranquilidade política com a desativação do golpe de Estado parlamentar e o início de um diálogo proposto há meses pelo governo, a situação é preocupante ainda mais para a oposição, obrigada a jogar suas cartas, que, diga-se de passagem, não são tão venezuelanas.

Unido a isso, a chamada Mesa de Unidade Democrática (MUD) mostra grandes fissuras e se debate na previsível disputa entre seus dirigentes, algo que alarmou seus apoios externos que já não veem nesse heterogêneo setor uma alternativa como ponta de lança da agressão.

Segundo analistas, teria que ver até que ponto o setor econômico integrado por grandes empresários como o czar da Empresa Polar, Lorenzo Mendoza, que tem uma fortuna pessoal que ascende a mais de 4 bilhões de dólares, de acordo com a revista Forbes, continuam arriscando capital em busca do imprevisível.

É uma interrogação se esse setor composto por grandes empresários, bancos, qualificadoras de risco, importadores, casas de câmbio colombianas, entre outros, prosseguirá sua política desestabilizadora.

Há apenas um mês e depois de certa estabilidade desde maio, o dólar paralelo, o melhor medidor da rua e que é ditado do exterior, começou a escalar mil pinos, como dizem no jargão popular, e já supera os dois mil por um dólar estadunidense.

Não precisa ser versado em economia para entender que isso dispara a inflação, o aumento de preços golpeia a todos porém mais ainda aos que menos ganham.

Nas ruas, entretanto não faltam ataques ao Executivo, há muitos apoios daqueles que estimam que um governo de direita seria um espelho da Argentina de Macri, onde há milhares de demitidos, se intensificam os cortes e a aplicação de medidas neoliberais, em essência antissociais.

A favor do governo é necessário destacar sua persistente luta por estabilizar os preços do petróleo, algo que parece alcançará nos próximos meses, e a chegada de grandes quantidades de alimentos e matérias-primas para sua elaboração, o que faz pressagiar que 2017 não deve ser tão crítico como se via até agora.

Não obstante, teria que ver se os Estados Unidos, onde deve assumir em janeiro Donald Trump, decide uma viragem do leme e aposta por uma melhor relação com Caracas, para estabilizar seus vínculos com a América Latina, em momentos em que deve enfrentar sérios compromissos com a Europa, Oriente Médio e outras regiões mais afastadas.

Agora a escassez começa a diminuir devido à forte resposta governamental para a entrada de produtos aos mercados como arroz, azeites e farinha de milho, entre outros, ainda que a preços ditados por interesses especulativos, ou seja, que as coisas começam a aparecer ainda que um pouco caras.

Sem dúvidas, as festas passarão, os venezuelanos desfrutarão de uma verdadeira melhoria, mas é necessário observar até onde chegará o dólar paralelo, ainda mais quando em 2017 podem se realizar duas eleições, e está demonstrado que o principal alvo nessas datas é a moeda para afetar a mesa e o bolso dos eleitores.

Recentemente, a Agência Venezuelana de Notícias (AVN) criticou à empresa Polar por 'baixar de forma intencional seus níveis de produção de alimentos como parte de uma agenda de desestabilização com fins políticos orquestrados pela direita', que responde a interesses externos.

A esse respeito, o jornalista argentino Pedro Brieger, durante uma entrevista transmitida pelo canal C5N da nação do sul, ressaltou que a cada vez que os atores de oposição geram situações de convulsão política, com a intenção de derrubar a Revolução Bolivariana, se produz uma queda da produção das Empresas Polar, cúmplice de setores de direita.

Segundo a AVN, quando a direita se lança novamente contra a democracia, a paz e estabilidade da nação, Polar, a principal produtora de alimentos no país, anuncia outra baixa de produção e responsabiliza diretamente o Governo pela pouca disponibilidade de divisas para adquirir seus insumos.

Há venezuelanos que se perguntam onde metem o dinheiro, pois segundo uma investigação realizada por William Serafino, membro da equipe jornalística da Missão Verdade, Polar recebeu desde 2004 até 2012 quase 6 bilhões de dólares (a taxa preferencial) e nada mais em 2013 e 2015 recebeu 2.290 bilhões.

Não são poucos os que sugerem que Mendoza usa os dólares preferenciais que recebe do Estado para fazer negócios no exterior e não para investir no país, como estabelece a política governamental.

Chama a atenção que o jornalista Pedro Brieger tenha advertido na entrevista sobre os interesses do hierarca da Polar, de empreender uma campanha política para se converter no 'Donald Trump venezuelano' e se tornar o poder na nação.

Luis Beatón

FONTE: Prensa Latina.
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