terça-feira, 11 de abril de 2017

25 de março: Em memória e honra da trajetória dos comunistas no Brasil, juramos vencer!

Em memória e honra da luta dos comunistas no Brasil, foi realizada no dia 25 de março último, no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), a palestra “Ano 95 do Partido Comunista - SBIC: Teses Sobre o Golpe, a Resistência e o PCML”. A data do evento possui enorme significado: a fundação do Partido Comunista no Brasil, pertencente à 3ª Internacional Comunista. Justamente por isso, a denominação inicial da fundação em 25 de março de 1922 era “Partido Comunista – Sessão Brasileira da Terceira Internacional Comunista”, que representa também o início do movimento comunista brasileiro sob o marco do internacionalismo proletário, cinco anos depois da Gloriosa Revolução Soviética de 1917. O dia 25 de março também nos rememora os 17 anos da iniciativa histórica de Refundação do Partido Comunista, sob as bases do Marxismo-Leninismo, no Brasil (PCML-Br).

O evento dividiu-se em duas mesas: A primeira destinou-se a debater as nossas teses sobre o golpe neoliberal e a resistência a este golpe, e foi composta pelo cientista político e Dr. em Educação Aluisio Bevilaqua, o prof. Dr. Antonio Cícero Cassiano, a profª Osmarina Portal e o prof. Orvandil Moreira Barbosa. A segunda mesa destinou-se a debater prioritariamente o PCML, e foi composta pelo prof. Juliano Siqueira e a assistente social Georgina Queiroz.

O prof. Antonio Cícero destacou que “as manifestações que acontecem no Brasil em 2013 só podem ser compreendidas no Brasil e no mundo se megulharmos de forma científica no desenvolvimento do capitalismo”. A confusão criada pela narrativa midiática com múltiplas definições, em meio ao curso dos acontecimentos, como “crise de representação política”, “crise moral”, “crise institucional”, “primavera tropical”, na verdade, lançam uma névoa sobre o seu real significado. “O capitalismo tem passado por transformações importantes, e uma transformação importante apontada pelas teses do PCML é a revolução científico-técnica ou a revolução informacional. Porque esse ponto é importante? Porque incorpora um novo tipo de crise”, ressaltou Antonio Cícero.

O processo de luta de classes, cujo marco é ilustrado pelas manifestações de julho de 2013, expressa uma crise do capital da qual ainda não tínhamos nos deparado, originada de um modo de produção adaptado para as novas necessidades do capitalismo. Só é possível compreender plenamente a conjuntura hoje se admitirmos que esta “ocorre dentro de um processo onde existe um aprofundamento da crise do capital, do sistema capitalista como um todo, e existe uma exasperação de um estratégia da classe dominante de superar essa crise do capital”, como indicou acertadamente o prof. Dr. Aluisio Bevilaqua.

A complexa conjuntura exige temperança e urge pela construção de um autêntico partido revolucionário, nos marcos do marxismo-leninismo. Nesse sentido, expressou Orvandil Moreira Barbosa, "quem tem estratégia e não tem uma tática, tem uma utopia; quem tem tática e não tem estratégia, tem excitações que acabam em masturbação. E nós temos as duas: a nossa estratégia é a revolução socialista. E a nossa tática, conforme as nossas teses, são claras, e devo apontar primeiro a formação de quadros. Já dizia Lenin, "sem teoria revolucionária não há revolução" e não se faz revolução sem antes termos bons quadros temperados, não academicistas, mas testados na prática".

Nesse sentido, Osmarina Portal assinalou que, a formação de quadros comunistas para a constituição do partido marxista-leninista de vanguarda, que conduza a luta até a vitória final, não deve perder de vista as grandes referências da classe operária na luta revolucionária, principalmente os quadros históricos em torno de nosso Partido, e que detêm um acúmulo teórico que darão subsídios para batalhas vindouras, auxiliando-nos com suas experiências a fazer uma “análise concreta da situação concreta”. Resistir sem sabedoria é suicídio. E citou um diálogo muito atual com o camarada Prestes em dada ocasião: “Prestes dizia: A gente precisa de uma grande greve geral. E eu perguntei: Prestes, mas basta uma greve geral? Ele respondeu: Não. Além de uma greve geral é preciso um partido revolucionário pra conduzir a revolução”.

A construção de um partido marxista-leninista para conduzir o processo revolucionário é uma necessidade histórica e nosso grande desafio histórico. Juliano Siqueira destaca que "se não tivermos um partido com quadros razoavelmente preparados, para onde iremos levar essas massas? Para onde vamos dirigí-las? Que caminho vamos apontar? Crescer com e junto às massas, mas crescer com consciência e teoria revolucionária. Isso é o que diferencia o PCML no campo da esquerda e o credencia como legítimo herdeiro dos camaradas que em 25 de março de 1922 fundaram o Partido Comunista - Secção Brasileira da Internacional Comunista”.

Exasperação das oligarquias

Os fatos descritos nas “Teses sobre a Situação Nacional e Internacional”, a partir de uma análise científica da realidade ainda no bojo das manifestações de 2013, revelaram o gravíssimo golpe eleitoral que estava em curso. O manifesto “Denúncia do Golpe Eleitoral contra a reeleição de Dilma Rousseff no Brasil”, publicado pelo PCML antes das eleições de 2014, apontou que “o imperialismo busca realizar um Golpe Eleitoral através de três frentes: guerra econômica, guerra midiática e intervenções a partir de suas infiltrações na Polícia Federal e em setores do judiciário”. A mobilização popular em defesa de Dilma Rousseff impediu o golpe eleitoral, porém, a fragmentação das esquerdas, a ausência de uma tática e uma estratégia que catalisasse a resistência popular, tornou o golpe juridico-parlamentar de 2016 inevitável.

O golpe de 2016 revelou todo o ardil das classes dominantes para sair da crise do capital que busca freneticamente relegar o ônus em detrimento do proletariado. Por isso mesmo, a luta de classes tornar-se premente no Brasil e no mundo. O prof. Aluisio Bevilaqua assevera que “se por um lado, as oligarquias já não podem governar como até então, por outro, a classe operária ainda não tem a força suficiente pra levar a uma mudança contundente”, e ainda afirma que “o golpe parlamentar, o golpe do impeachment, tem que ir aos desdobramentos”. Ou seja, a marcha do golpe caminha a passos largos para a forma mais cruel do neoliberalismo, o completo desmonte do Estado nacional e entrega para as grandes corporações.

O neoliberalismo é “uma medida de exasperação, que para ser aplicado precisa suprimir todos os direitos da classe operária, suprimir até o exercício da democracia liberal. A única forma do neoliberalismo conseguir se impor é através de uma ditadura aberta sobre o povo. O neoliberalismo exige essa condição, porque se trata de um regime de espoliação”, concluiu Aluisio Bevilaqua.

O ano 95 do Partido Comunista – Sessão Brasileira da Internacional Comunista é motivo de júbilo para todos os comunistas e democratas do Brasil, e não objeto de monopólio de uma ou outra sigla. Nós, comunistas em torno do PCML, nos orgulhamos de trilhar o mesmo caminho daqueles que dedicaram toda a vida pela causa da humanidade. E juramos prosseguir a gloriosa caminhada rumo à Revolução Proletária Brasileira e Mundial.

 José Carapinima

FONTE: Jornal Inverta
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