terça-feira, 18 de abril de 2017

Conexão criminosa made in USA: eliminar governos incômodos

A explosão do escândalo Watergate (1972) nos Estados Unidos abortou um plano de assassinato contra o então chefe de estado panamenho, general Omar Torrijos (1929-1981), lembrou um jornal local.

'Um grupo de assassinos já estava no México a caminho do Panamá para acabar com a vida do líder militar, mas o plano foi abortado no meio do crescente escândalo político que envolvia o então presidente Richard Nixon', publicou La Estrella, que citou uma reportagem da revista estadunidense Inquiry.

Investigações anteriores se chocaram com este e outros temas parecidos sob a hipótese de que respondiam a uma estratégia oficial e assim foi confirmado pelo jornalista Jonathan Marshall, em sua reportagem The White House Death Squad (O esquadrão da morte da Casa Branca), publicado em 1979.

Sob a desculpa esfarrapada de lutar contra o narcotráfico, os cabeças condenados por espionagem, do governo Nixon ao Partido Democrata (Watergate), Howard Hunt (1918-2007) e Gordon Liddy, criaram em 1971 a secreta Unidade Especial de Investigações (SIU por sua sigla em inglês) por ordem presidencial.

Hunt procurou entre seus velhos aliados residentes de Miami, que haviam participado da fracassada invasão a Bahia dos Porcos (Girón para Cuba), gente disposta a assassinar para servir a Casa Branca, afirmou Marshall, quem citou as confissões de Bernard Barker (1917-2009), ex-policial do ditador cubano Fulgencio Batista.

Com esses argumentos, o jornalista ofereceu a seguinte conclusão: 'Omar Torrijos, o inimigo da Casa Branca, era um de seus alvos', mas como revelou o funcionário público da Casa Branca John Dean à revista Newsweek em 1973, quando explodiu o Watergate, o próprio Hunt deu a ordem para abortar o atentado.

Negativas da CIA de que o plano contra o general panamenho fosse real e dúvidas sobre a veracidade das declarações de Dean lançaram a necessária cortina de fumaça para enterrar o tema, porque por trás do crime estava realmente o interesse de eliminar aqueles que pressionavam os Estados Unidos para devolver o Canal Interoceânico.

Um grande júri investigou nos Estados Unidos sobre o magnicídio e interrogou, entre outros, Manuel Artime, chefe civil da derrotada invasão a Cuba, quem negou trabalhar para Hunt ou para outros conterrâneos no plano de assassinato.

Não obstante, no dia 3 de novembro de 1974, Carlos Rivero Collado, ex-líder do auto-declarado 'exílio anticastrista', declarou que Artime foi um participante direto do complô contra Torrijos, além de fazer parte do grupo de espionagem do Watergate, mas nunca foi mencionado.

Baker, respondeu à mesma pergunta com uma resposta mais apegada a sua 'lealdade' jurada à Casa Branca, ao vincular o tema com a guerra contra as drogas, para o qual o presidente criou o grupo secreto do qual fez parte, justificando as ações criminosas: 'atacar a máfia com métodos da máfia', afirmou a fonte.

Sobre Liddy, o comandante daquele 'esquadrão da morte', outro de seus capatazes, Frank Sturgis (1924-1993), elogiou a paixão pelas pistolas e as facas de guerra, além de sempre falar da disposição a matar.

'Este grupo de assassinatos sob ordens, naturalmente, assassinava militares ou membros de partidos políticos de outros países nos quais se infiltravam, assassinando inclusive membros próprios se houvesse suspeita de que cooperavam com governos estrangeiros. Concentrávamos-nos em Cuba nesse tempo particular', expressou.

O embaixador dos Estados Unidos no Panamá na década de 1970, William Jorden, se esforçou para convencer Torrijos de que 'ainda que fosse verdade, não representava a política estadunidense', afirmou o diplomata em seu livro Panama Odyssey (Odisséia do Panamá), publicado em 2014.

Até o próprio Jorden não se atreveu a negar o fato, pois teve que responder sobre o assunto em seu cargo no Conselho de Segurança durante os presidentes estadunidenses Lyndon B. Jhonson e Nixon, e a documentação sobre as atividades ilegais da CIA, desclassificadas em 2007, confirmam tais métodos.

‘Jóias da Família' é o título sugestivo da coletânea de mais de 700 páginas com relatórios da inteligência que evidenciaram as ações e revelaram vínculos oficiais com chefes mafiosos; entre eles, o gánster de Chicago John Roselli, que foi encarregado de assassinar o líder cubano Fidel Castro em 1960 na Operação ZRRIFLE.

Ao revisar o prontuário de cada um dos nomes mencionados e outros vinculados a eles, há outras conexões provadas ou não com assassinatos como os do presidente estadunidense John F. Kennedy e seu irmão Robert, o Watergate, a Operação Côndor e a derrocada de Jacobo Arbenz na Guatemala, entre outros.

A Operação 40 da CIA cumpria o objetivo de derrocar chefes de estado pouco favoráveis à política dos Estados Unidos e, apesar de ter sido criada pelo presidente Dwight D. Eisenhower em março de 1960, foi Nixon em seu caráter de vice-presidente quem a teve sob seu comando, segundo vários pesquisadores.

Em 1961, tinha 86 integrantes entre antigos membros da fracassada invasão a Cuba e mais de dez oficiais estadunidenses da CIA, enquanto sua criação teve como ideólogo o diretor dessa instituição, Allen Dulles, que diversos especialistas apontam como o CÉREBRO do magnicídio de Dallas contra Kennedy.

Na lista aparecem também outros notáveis assassinos, como Luis Posada Carriles, Félix Rodríguez Mendigutía, Orlando Boch (1926-2011), Rolando Masferrer (1918-1975) e Pedro Díaz Lanz (1926-2008), autores de múltiplos crimes no último meio século.

Estes mensageiros da morte foram surpreendidos pelo Watergate quando se dispunham a cumprir a sentença de Hunt contra o general panamenho: 'eu espero que Torrijos retifique e coopere (com os Estados Unidos), ou desaparecerá'.

Os tratados sobre o Canal do Panamá foram assinados em setembro de 1977 e no dia 31 de julho de 1981 o militar morreu quando seu avião caiu sobre uma montanha, em um episódio que alguns consideram acidente e outros atentado. Os documentos sobre o desastre desapareceram depois da invasão estadunidense ao Panamá em 1989.

FONTE: Prensa Latina
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