sábado, 12 de agosto de 2017

Inocência escravizada

 Mal passaram dos 15 anos. Muitas têm menos idade. A todas lhes semearam o sonho de ser babás, camareiras, inclusive de exibir seus corpos em uma passarela na Itália da moda; muitos são também crianças e adolescentes, os mais provem/provêm da África.

A fome e a miséria, o medo de serem recrutados por grupos armados em perenes conflitos, os impulsam a uma cega aventura que empreendem apoiados de uma mão 'amiga e segura'.

Todos marcados por vexames, exploração e abusos sofridos em uma longa travessia por terra e mar, e por dívidas impostas, não contraídas a maioria das vezes, superior a 30.000 euros pelo mero fato de trazer a este lado do Mediterrâneo e que significa trabalhar por tempo indeterminado para esse 'benfeitor'.

Histórias de esperanças coartadas pelo engano que os levam ao tráfico de drogas e a prostituição, trabalham para outros, o mesmo na indústria do sexo que em plantações agrícolas, sob ameaças e coações.

'Pequenos escravos invisíveis 2017' é o título do estudo, recente apresentado pela reconhecida ONG Save de Children, o qual expõe com crueldade a crescente presença, marcada por um maior fluxo migratório, de menores vítimas da trata e a exploração sexual na Itália.

Em 2016 foram 1.172, deles 954 mulheres e 111 crianças e adolescentes, 84% meninas, as vítimas acolhidas a programas de proteção, assinala o texto.

67% do total provem/provêm da Nigéria, a maioria submetida à exploração sexual, muitas, segundo outras fontes, 'contratadas' por redes criminosas nigerianas arraigadas na Europa.

Este drama o corrobora um trabalho das unidades móveis de Save de Children em 2016 e nos primeiros seis meses de 2017, o qual mostra um número cada vez maior de crianças de nacionalidade nigeriana e romena obrigados à prostituição de rua.

O monitoramento evidenciou também um aumento significativo de menores de Bangladesh e Egito e inclusive eritreus presos em virtude do lento processo de reinstalação.

Em uma noite apenas, a ONG identificou a presença nas ruas de 3.280 pessoas, vítimas reais ou potenciais, entre elas 167 crianças ou adolescentes supostas ou vítimas da trata, pesquisa que abarcou 50 províncias de 19 regiões.

Os menores não acompanhados que chegaram por via marítima a Itália em 2016 foram 25.486, o dobro de 2015 e no primeiro semestre deste ano foram 9.761.

Negócio criminoso que move no mundo bilhões de dólares, o segundo rendimento após o tráfico de droga; na Europa tem ao menos 12.760 delinquentes adultos ou suspeitos acusados, deles 3.187 mulheres.

Na Itália, ainda que as provas de campo mostrem um número maior, são 324 os adultos suspeitos ou acusados de delitos relacionados com o tráfico ou exploração, em sua maioria homens, de origem romena 89, nigerianos 85 e italianos 47.

Internet é a via mais utilizada para contratar os serviços sexuais e sua publicidade de suas 'ofertas; as novas tecnologias como os telefones móveis, são a cada vez mais importantes tanto na contratação como no controle das jovens vítimas.

'Pequenos escravos invisíveis 2017', documento de 98 páginas em cinco capítulos, mostra dados, imagens e histórias contadas pelas próprias vítimas.

Save the Children, fundada em 1919, luta para salvar vidas de crianças, fez seu dossier com o fim de 'restaurar uma imagem fiel da corrente da delinquência' e que seja 'útil para estruturar um plano de ação política e programática contra este delito aberrante'.

FONTE: Prensa Latina
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